Em primeiro lugar, graças a Deus, ainda bem mesmo, que existem as feiras de agronegócio, o shows tecnológicos e outros eventos semelhantes. Nas subjacências desses acontecimentos há giro de dinheiro, distribuição de lucros e muitos ‘‘causos’’ para se contar depois, como diriam o impertinente Madruguésio e seu amigo Antonhadão.
O que tem que ficar claro é que o palco das exposições não é o mundo real de todos que produzem. Do lado de fora há uma legião de produtores quebrados, perdendo a propriedade, enfim, sofrendo com adversidades políticas, econômicas e até climáticas; estas, as climáticas, são menos danosas. Por Deus: as outras são piores.
Mas, nem tudo são prejuízos no campo. Prejuízos que as colheitas recordes não reparam. Parece contraditório mas as grandes produções não são a salvação da lavoura.
Quando digo que nem tudo são prejuízos, quero dar o exemplo da notícia que saiu esta semana, feita pelo jornalista Mauro Zafalon. Seguinte: os títulos do agronegócio atraem bancos e começam a ser um importante instrumento de suporte financeiro no campo. No ano passado, apenas um deles, Letra de Crédito do Agronegócio, a LCA, girou R$ 35,8 bilhões, conforme registros na BM&FBovespa. Em 2007, o movimento havia sido de apenas R$ 3,6 bilhões.
O volume total de registros de novos títulos do agronegócio já atinge
R$ 44,5 bilhões, o que é um grande instrumento de complementação ao crédito rural. São papéis cujo lastro vem do agronegócio. É uma alternativa para financiar a agricultura sem recorrer ao governo ou cair nas linhas de crédito disponíveis, que são de tirar o couro do caboclo.

H.Ramos Bezerra
A prosa de hoje foi inspirada em fatos otimistas que estão surgindo na agricultura, em meio a uma crise que deveria preocupar mais.

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