Está escrito no cartaz simples de um local santo onde as pessoas ouvem palestras e recebem assistência espiritual: ‘‘O silêncio é uma prece’’.
  Pegando uma carona naquela mensagem, o amigo Antonhadão sugere que devemos responder com o nosso silêncio ao banzé que os políticos aprontam nesses tempos de compra de voto, chamado campanha eleitoral. Silêncio e indiferença. Acabo de crer que eles não merecem nossa atenção.
  Macacos sábios neles! A história dos Macacos Sábios remete à sabedoria japonesa e é contada por Márcio Cotrim, em ‘‘O Berço das Expressões Populares’’. Tem tudo a ver com a prece do silêncio e as mentiras que contam na TV.
  Os macacos sábios. São três. Um não vê, o outro não escuta, o terceiro não fala. A famosa trinca apareceu desenhada na porta de um templo, em época remotíssima. Os nomes dos três símios eram Mizaru, o que cobria os olhos; Kikazaru, o que tapava os ouvidos, e Iwazaru, o que fechava a boca. Assim, a seguinte sabedoria passou a correr o mundo: não veja o mal, não escute o mal e não fale o mal.
  A filosofia simbolicamente transmitida pelos três macaquinhos, sugere a) discrição inteligente, b) silêncio em atitude de reserva, c) neutralidade estratégica em momento agudo de polêmica. Não é covardia, mas predomínio do bom senso.
  Adote você, tão sábios ensinamentos. Até porque, meu amigo vivente, pelo andar da carruagem (ou melhor, pelo avanço do trem da alegria), pode ser que venha aí um período de caça às bruxas. Os homens do poder estão atiçando as massas contra a imprensa. Só faltava essa!
Até sábado
H. Ramos Bezerra
A prosa de hoje foi uma homenagem aos três macaquinhos sábios. E só.

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