A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o dia 17 de junho como o ‘‘Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca’’. Se a data não é celebrada no Brasil, o problema é dos brasileiros, mas que consta do calendário da ONU, consta sim senhor.
  Datas comemorativas aparecem em calendário em forma de homenagens ou para que as pessoas se lembrem que o tema não pode ser esquecido. Em geral também servem para desencadear protestos. Muitos protestos.
  Em tempo de preocupação com o ambiente, vale exercitar um pouco sobre as conseqüências de tantas agressões à natureza. Perigo de desertificação não significa necessariamente lembrar os desertos que constam no mapa. Mas é bom refletir sobre aquelas imagens de degradação em várias partes do mundo.
– Dá uma tristeza só de ver um daqueles camelos, comentaria Madruguésio, o personagem da FOLHA RURAL que incorpora o pequeno e o médio produtores conscientes.
– Única coisa que me agrada lá do deserto são aquelas competições de carros rasgando a areia, levantando aquele pó, o Rally Dakar. Fora aquilo, nada me agrada nem sabendo que lá tem petróleo.
  Pois é. E você, olhando para esse verde abençoado do Paraná consegue imaginar algo que se pareça com deserto? Claro que não. Ainda não.
  Mas é bom saber que, em algumas regiões do Brasil, o chão batido pelo trator ou mesmo pelo gado, apresenta sinais indicativos das precondições para o deserto. Ou, então, viaje, pelo interior de Goiás e dê uma espiada naqueles pastos cheios de morrinhos, tipo formigueiros. Ou a região de Alegrete no RS. Imagine essas áreas dentro de 50 anos. Menos!
  Mas você está acostumado com o verde forte, repolhudo, do Norte do Paraná. Então imagine você mesmo chegando por aqui 50 anos atrás. Se você fosse um daqueles pioneiros – com a imagem daquela mata virgem na cabeça...aqueles pés de milho e café viçosos. Então você vai ver que muita coisa já mudou.
  Será que deu para entender aonde a gente quer chegar com essa prosa de hoje?
  Faz o seguinte, você, dono de terras neste Paraná que parece indestrutível (mas que é muito mais frágil do que você pensa): continue naquela rotina: colhe soja/planta trigo, tira o trigo/planta soja, colhe a soja/planta milho safrinha...
  Vai nessa toada sem dar um tempo para a terra descansar. Seus netos não precisarão ver camelos nem chuva de areia para saber o que é triste.
  Ah, continue obedecendo essa sinistra política agrícola globalizada. Continue como o cão que gira atrás do rabo (colhe soja/planta trigo, tira o trigo/planta soja/planta milho safrinha...até a terra roxa virar pó). Faça do jeito que eles querem. Tem todo um aparato para incentivar a exploração (exploração mesmo!) de sua terra: as multinacionais, os bancos, os órgãos de governo, as cooperativas. Vai na onda do sistema.
  Sinistrose: Mãe Diná dos Sertões: ‘‘Estou vendo você, o governo, as multinacionais, os bancos...todos vocês festando no arraiá do deserto...Uuuiii, meu filho’’.

H.Ramos Bezerra

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