UM DEDO DE PROSA - Muito riso amarelo na segunda-feira?
Sabe aquelas pessoas que ficam em cima do muro até mesmo quando você comenta:
Será que vai chover?, e que, na verdade, aquilo nem é uma pergunta porque você não espera por uma resposta, você só tentou puxar uma prosa. É como se cumprimentasse alguém com uma frase assim: Bom dia!, que calor, não!?.
Pois é, amigo. Meu compadre Antonhadão tem que conviver de divisa com um cara que não acha graça em nada. Diferentemente de Antonhadão que vibrou com a boa safra dele, ano passado, o vivente parece não se sentir feliz quando o compadre conta novidades como o seu novo trator, ou a pescaria que só deu banho na minhoca... E não é inveja, certo?
É o jeito dele. A tudo aquele vivente reage com um sorriso amarelo. Não mais.
Sorriso amarelo?! Risada agora tem cor, seu Celestino?
Pior que tem, responde Celestino a João Procópio apelidado de Joãodazégua. Aliás, o João também é meio arredio às conversa, esquisito, sujeito meio alongado, sabe? Na escola o apelido dele era Joãobarranco. Não sei por quê. O João é o tipo que não adianta puxar conversa; ele não é de prosa. Reage com aquele sorriso amarelo. Desconfiado de que?
Bom, acabou sobrando para a professora Albertina, consultada no dia seguinte pelos moleques que escutaram conversa dos adultos.
Sorriso amarelo, gente (dona Arbertina adora tê que explicá as coisa que vão parar nos ouvidos dos pais), é um sorriso forçado. Pode ver que o sorriso amarelo parte de quem fica meio sem jeito de dizer um não, ainda que discorde do assunto. Ou simplesmente não gostou de ter ouvido aquilo e, então reagiu meio contrariado, constrangido...
Aliás, o amarelo não merece isso. O amarelo é uma cor muito boa, expressa trabalho, riqueza, ouro! Amarelo é a cor do sol, e essa afinidade cromática tem a ver com fonte de vida. Tem gente da Europa que vem ao Brasil para curtir o sol de verão.
Pensando bem, a expressão de quem reage com indiferença às coisas que não lhe agradam deveria ter outro nome. No lugar de amarelo, deveríamos dizer que o fulano ficou com aquela cara de tacho. Ou de bunda, talvez. Igual a cara de certos políticos quando a definição das eleições ficou para o segundo turno.
É... mas, infelizmente, pelo andar da carruagem ou pelo andar do trem da alegria do Lula quem vai ficar com cara de tacho, dessa vez, seremos nóis. E não vai dar para disfarçar um amarelo pálido, amarelo icterícia. Amarelo de medo! Tem terra? É isso mesmo, amarelo de medo. É amanhã. Só por Deus, como diria o padre da Paróquia São Vicente de Paulo, só por Deus.
Então fica com ele e até sábado!
H. Ramos Bezerra





