UM DEDO DE PROSA - Mandioca agora tem arranjo
A jeito de administrar o Brasil é cheio de vícios. Os planos são feitos para períodos de governo. Não são Planos de Estado, com metas bem definidas. Para explicar melhor: cada grupo político - ou partido - que ocupa o poder faz um plano para a sua gestão. Nem são planos, são arremedos de medidas - que na maioria das vezes abrigam interesses eleitorais. São obras de curto prazo. Após eleições, vem outro grupo e faz outro plano. Para aquela gestão.
O Brasil precisa de Planos de Estado. Em países desenvolvidos, administrações competentes se preocupam em governar e planejar tendo como horizonte o Estado. Não se fazem plano de governo.
Dá para entender? Claro que dá.
Dias atrás, chegou uma notícia na FOLHA que parecia interessante. Dizia o seguinte: Um Comitê Executivo criado pelo Arranjo Produtivo Local da Mandioca (APL), de Paranavaí, vai traçar um plano de ação para servir de condutor das atividades desenvolvidas no âmbito do Arranjo Produtivo.
O plano de ação será submetido ao Conselho Superior do APL que ficará responsável pela busca de recursos e cooperação entre os agentes envolvidos na cadeia produtiva.
Uma leitura do resumo da informação mostra que a intenção do novo órgão é das melhores, mas não é diferente das filosofias de gestões/projetos anteriores: aumentar o valor agregado da matéria-prima, buscar financiamentos à pesquisa, obter apoio para projetos desenvolvidos por empresas... entre outros.
Ora qual é a grande idéia, então?
A grande idéia é apenas o novo órgão. Ah...
Nova leitura e aí se descobre mais uma. Descobre-se que não passa de mero capricho do Ministério da Indústria e do Comércio para liberar recursos.
O que informa o texto: A criação do Comitê Executivo e do Conselho Superior do APL é requisito básico (leia-se exigência) para elaboração de um plano de ação. E este plano é o instrumento básico para cadastramento das necessidades do setor junto ao Ministério da Indústria e Comércio, com objetivo de acesso a incentivos destinados ao seu desenvolvimento.
Deu para entender?
É como se tudo em torno da mandioca (alimento abençoado) estivesse nascendo agora. E olhe que a mandioca (ou o aipim, ou a macaxeira) é uma raiz tão antiga quando saborosa. Os índios já sabiam disso. E talvez os planos deles fossem mais duradouros.





