Quem nunca ouviu frases do tipo, ‘‘fizeram tudo errado e nós é que vamos pagar o pato’’. Acho que todos conhecem essa expressão popular: pagar o pato.
  Antonhadão percebe a pressão dos órgãos ambientalistas, o Ibama digamos, para que os proprietários construam florestas. Lê o Código Florestal e fica apavorado. Associa as ameaças ao que ouvira dos antigos, que se gabavam de ter ‘‘desbravado este sertão’’. Lembra das conversas do próprio avô sobre o tombo de grandes árvores. Antonhadão sabia que ninguém, naquele tempo, respeitou a natureza. Contavam vantagens de sua bravura, mas nada sabiam sobre exploração racional, tampouco manejo de florestas ou sustentabilidade. Os pioneiros chegavam e faziam derrubadas, iam levando a eito. O que não era derrubado, acabava devorado pelo fogo. Bem que ele, ainda menino, não achava muita graça naquelas histórias. Mas respeitava a vida sofrida dos mais velhos.
  Hoje, quando órgãos do governo exigem o impossível mesmo de quem tem pouca terra, Anto

nhadão desabafa: Eu até desconfiava que, um dia, alguém ia pagar o pato pelo estrago que fizeram 50, 60 anos atrás. Até bem pouco tempo o governo permita tudo. Agora exige tudo. Todos os dias milhares de árvores centenárias são destruídas na Amazônia mas o governo faz vistas grossas. Também por isso alguém vai ter que pagar o pato, um dia. Consequências são os desastres naturais.
  Pagar o pato é responder por algo de errado que os outros fizeram.
  Mas qual é a origem da fábula? Como surgiu?
  O historiador Márcio Cotrim conta que no início do século passado uma senhora, casada mas leviana, queria muito comprar um pato e estava decidida a pagar um bom preço por ele. O vendedor, conhecendo os atrativos da moça e antevendo a oportunidade de um negócio que uniria o útil ao agradável, disse que venderia o bicho, mas tinha que em troca de favores muito especiais da bela madame. Ela cedeu, mas o comerciante pediu mais ‘‘dinheiro’’ ou ‘‘favores’’ . De repente chegou o marido em casa e ficou sabendo que o esperto vendedor e intruso alegava que o pato ainda não estava pago. O marido pagou o pato e, inocente, disse que a compra até ajudara a preparar, mais cedo o jantar daquele dia.
  Moral da história: muita gente continua pagando pato e outros bichos, até de maior valor, enquanto os verdadeiros devedores deitam e rolam.
Até sábado!
H.Ramos Bezerra

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