Foi justamente no ano da geada derradeira para os cafezais do Norte do Paraná que a Embrapa Soja fincou suas raízes na terra vermelha. Junto com os pés de café pretejados pelo frio, os arados levaram os últimos resquícios de algum amadorismo para lidar com a lavoura.
O plantio direto chegava para ficar, junto da soja, da rotação de culturas. O Brasil passava a ter um novo produto saído de seus campos em quantidades cada vez maiores para exportar. Porém, o mundo da oleaginosa, regido a números sempre grandes, não podia ser desbravado de qualquer maneira, a bordo de qualquer nau.
A soja tinha que vingar. O sorriso voltaria a correr a rodo nos rostos de agricultores de uma fértil e nova fronteira agrícola do País, aberta apenas quatro décadas antes a custo de machados e homens dispostos a derrubar uma enorme área de mata exuberante; demonstração de que a terra que a abrigava poderia produzir muito. Era preciso descobrir um novo ''ouro verde''.
Foi nesse contexto que a Embrapa Soja nasceu. E com responsabilidade e técnica norteando um trabalho pioneiro, cresceu. Os resultados das pesquisas dos homens dos laboratórios chegava aos homens a bordo de tratores. Nas rodas de conversa nas áreas rurais a palavra tecnologia entrava no papo. Era um termo capaz de transformar o trabalho em cifras, mais rentabilidade, divisas, empregos, dinheiro girando a economia das cidades grandes e pequenas cercadas pelas plantações.
A soja deu certo no sul e logo foi se espalhando por outras regiões brasileiras, conforme mostra a repórter Erika Zanon na reportagem especial desta FOLHA RURAL. Chegou ao Centro-Oeste, ao Cerrado, ao MaToPi.
Paranaenses migraram junto da soja, levando nas malas as sementes e o conhecimento desenvolvido pela Embrapa. Muitos ''nadaram de braçada''. Veja o caso do Blairo Maggi, que até dias atrás governava o Mato Grosso. Com polêmicas ambientais à parte, o homem nascido em São Miguel do Oeste se tornou milionário e o maior produtor de soja do mundo. Mais tarde perdeu o posto para o primo, Eraí Maggi, também nascido no Oeste paranaense, outra região que produz muita soja. Por sinal, a oleaginosa está firme também nos Campos Gerais. Na última semana, encontrei gente colhendo-a em Castro, onde, por conta do clima, planta-se mais tarde.
Num tempo em que se fala em commodities, com preços globalizados, é fácil constatar que, sem o suporte técnico de uma entidade de gente boa como a Embrapa Soja, teríamos dificuldades para colocar o nosso agronegócio no patamar atual. É ou não é?
Wilhan Santin repórter da FOLHA DE LONDRINA

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