UM DEDO DE PROSA - É tempo de outras conversas. É tempo de reflexão
Durante o ano, as nossas conversas versaram sobre as peripécias do Antonhadão e sua família; os causos do Madruguésio e do João Procópio. Enfim, gente que incorpora personagens que fazem a história no campo e cujo cotidiano é o que melhor expessa o jeito de ser do pequeno e médio produtores paranaenses. Foram conversas que, no final, passaram uma mensagem positiva, um desabafo ou uma crítica sempre com a intenção de ajudar a construir algo.
Agora, no crepúsculo do ano, às véspera do Natal, a conversa é outra. Mais amena e sempre incorporando o jeito paranaense de ser em toda a sua etnia, cultura, regionalismos. Diferenças que, afinal, enriquecem. As religiões cristãs falam em reflexão. Então entremos nesse clima suave como o colono que levanta cedo, que derruba orvalho para reunir o gado ordenhar e fazer tudo o que tem que ser feito...do Bom Dia! aos animais ao aquecimento do trator de todas as tarefas.
Nesta época, o homem do campo que é humilde por definição, se torna mais amoroso, mais família, mais compenetrado, mais protetor. Reverencia o aniversariante, o filho do homem. Não fosse ele, a chuva e o sol não estariam entre nós para garantir o alimento, da semeadura, germinação à colheita; do grão de trigo, ao pão.
De repente, eu paro um segundo e, da estrada por onde passo todos os dias, vislumbro, no quintal do colono, a figura que mais se aproxima do jeito do homem do campo, querendo proteger a todos: a esposa, os filhos, os netos...até vizinhos. E eu, como num rasgo de luz o no raio do sol, consigo vê-lo, não por acaso, na figura de uma galinha-choca. É isso mesmo, uma galinha-choca.
Aliás, eu os vejo como no Evangelho de São Lucas: Jesus se comparou a uma galinha... galinha tem instinto materno: bota ovos, choca-os, protege os pintinhos do frio, dos perigos e os ajuda a achar comida.
Como frágeis filhotinhos, todos precisamos de alguém que abra suas asas sobre nós.
Feliz Natal!
H. Ramos Bezerra,
Até dia 15 de janeiro!





