UM DEDO DE PROSA - Crendices do campo
Que a natureza é sábia ninguém duvida. Que ela está chamando a atenção do mundo para os abusos cometidos contra ela, também é praticamente certo. Como o fato curioso que chegou até a equipe da FOLHA RURAL na semana passada, enviado por Laudo Leon, assessor de imprensa da Cooperativa Coopermibra, de Campo Mourão.
Na propriedade dos irmãos Wander, Wesley e Frank Furlaneto, em Luiziana, município vizinho, no bananal plantado com o objetivo de preservar uma nascente de água, está se tornando comum encontrar cachos de bananas com frutas ''filipes'' - a definição popular para frutas que nascem coladas uma a outra, envoltas na mesma casca.
Mas o que surpreendeu ainda mais os irmãos Furlaneto foi encontrarem em uma só penca de bananas três ''filipes'' triplos e um duplo. As frutas foram fotografadas e ficaram expostas na sede da cooperativa ''atiçando'' a curiosidade das pessoas que passaram pelo local. Ninguém arriscou uma resposta.
Aqui na Redação da FOLHA, não foi diferente. Quando chegou a foto das bananas dos Fulaneto, enviada pelo nosso leitor Laudo Leon, a curiosidade foi total.
Filipes de banana (e também café) existem sim senhor. No interior de São Paulo, a criançada levanta um monte de presentes quando conseguem ''passar''um filipe prá frente. Pelo menos nos antigamente, quando o café era um forte naquele Estado.
O dicionário dá a seguinte definição: Filipe ''Cada uma das frutas que nascem grudadas uma na outra''.
A Folha Rural Buscou, então, auxílio técnico. O agrônomo Élcio Rampazzo, especialista em fruticultura, da regional da Emater, diz que é comum aparecer um ou outro ''filipe'' em cachos de bananas, mas não com a frequência citada pelos irmãos da cidade de Luiziana. Ele até cogitou a possibilidade da fartura de água a que o bananal está exposto, mas destacou que prefere pesquisar mais sobre o assunto.
Rampazzo sugeriu nomes de dois pesquisadores. Mas, até agora, contatamos apenas Sebastião de Oliveira e Silva, da área de melhoramento de plantas, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, na Bahia. O caso para ele é raro e, para explicá-lo com sabedoria, também quer mais informações sobre o bananal - a origem das mudas, como foram produzidas, o tempo de plantio, entre outras.
Continuamos em busca de respostas. O próximo profissional que iremos consultar fica num centro de pesquisa em Santa Catarina. Esperamos que na edição da próxima semana possamos apresentar explicações concretas.
Enquanto isso....na cultura popular, quem se lembra de que quem recebia uma banana filipe, tinha a obrigação de ''pagar uma prenda''. Muitas bolinhas de gude, bonequinhas e carrinhos de plástico foram pagos pela fruta curiosa, com certeza.
Tem ainda aquele alerta de nossas avós que, pensando bem, talvez tivesse o intuito de despertar o valor da partilha. Segundo a vó ''É muito perigoso comer sozinho um 'filipe'. Quem come fruta grudada vai ter também filhos grudados!''. Sem entender ou com medo da ameaça não sobrava outra alternativa que repartir a fruta com quem estivesse ao lado.





