Previsões como esta são os maiores inimigos do produtor e do mercado. Mesmo sendo verdadeiras, as previsões, pela forma como são divulgada, acabam prejudicando o setor. De novo, o governo anuncia a previsão de safra, diz que ela será abundante e faz discurso como que assumindo a paternidade. Ele é o dono da horta! Foi assim com Roberto Rodrigues, quando ministro, e agora com o atual. A gente até imagina o ministro e o presidente em cima do trator fazendo um esforço danado para plantar e colher. A mídia, então, adora. Adora falar que haverá abundância. Mas ninguém imagina a distorção que isto causa. Distorção no mercado e prejuízo para o produtor. Aliás, as multinacionais dos insumos, incluindo aí os venenos, também adoram essas previsões, muitas das quais à base do chutômetro. Adoram porque reajustam seus preços. Reajustam, Em primeiro lugar, safra não é colheita. Embora a colheita da soja no Sul já se encaminha para o final, pode haver erros sim, porque há soja verde no campo, ainda, sujeita a chuvas e trovoadas.

A notícia: O Brasil deve colher 127,6 milhões de t de grãos na safra 2006/07, recorde histórico, de acordo com o sexto levantamento da produção, realizado entre 15 e 22 de fevereiro e divulgado esta semana, em Brasília, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmados, os números apontam para um aumento de 5,7% na produção em comparação à safra passada, de 120,8 milhões e de 3,6% ante o recorde anterior, de 123,2 milhões de toneladas de grãos, obtido no ano-safra 2002/2003.

A dobradinha As duas principais culturas brasileiras, soja e milho, devem ter recordes de produção nesta safra. A produção de soja deve atingir 56,7 milhões de t em 2006/07, volume 6,2% superior às 53,4 milhões de t colhidas na safra passada. No entanto, assim como a produção total, a área cultivada com soja também deve cair. Foram cultivados 22,2 milhões de hectares na safra passada e 20,5 milhões de hectares na atual safra, uma redução de 7,4%. ‘‘A recuperação da soja no Sul praticamente compensará a perda de área da cultura em outros estados’’, explicou o presidente da Conab.
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