Vai visitar alguém por algum motivo específico? Vai a negócio? Ou vai na casa da pessoa simplesmente para prosear? Então, se a conversa é só amizade, não chegue de mãos abanando


Era o velho e bom costume das colônias de antigamente Na zona rural, ainda hoje, não se chega na casa do amigo de mãos vazias, como se costumava dizer A mãe de Antonhadão já dizia: faça um agrado, leve alguma coisa! Nem que seja uma pamonha ou uma rapadura

Era assim Se alguém matava um boi num sábado qualquer, ou um capado bem gordo, todos na redondeza recebiam um pedaço, nem que fosse só uma costela

Gente, esse hábito, que o tempo não apaga, tem origem Tem história É original do interior do Brasil, muito cultuado até os anos 50 É espontâneo e tem inspiração nos imigrantes O historiador Marcos Cotrin é quem conta: chegar de mãos abanando não é chegar saudando efusivamente as pessoas, como fazem os políticos Alemães, italianos, portugueses, japoneses, poloneses não chegaram aqui de mãos abanando Ao contrário, além das ferramentas, vieram com o mais importante: disposição para o trabalho, vontade de progredir em sua nova pátria Trouxeram sementes Fizeram prósperas as cidades, graças ao caldeamento de hábitos e costumes

Pensando bem, suas mãos muito ocupadas, só abanam para louvar a felicidade encontrada fraternalmente entre nós Essa gente trabalhou muito; essa é do batente!

Madruguésio ouve esta história nas conversa entre amigos, lá na venda dos Preto e, ladino como ele só, trata logo de tirar proveito Faz as coisas sempre na base da brincadeira mas não deixa de dar seu recado

á- Ta vendo, gente? Escutaram bem? Então quando alguém aparecer lá em casa, por favor, nada de mãos abanando Certo? Ah, deixa eu lembrá uma coisa, é uma dica: a turma lá de casa, lambe a fuça por um pernil de leitoa, com muito alho e azeite



Até sábado,



H Ramos Bezerra

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