Engraçado. Como as coisas têm tudo a ver. Lendo, semanas atrás, aquelas denúncias da FOLHA DE LONDRINA contra o uso abusivo de agrotóxicos, lembrei das conseqüências disso. Lembrei de ambiente, desequilíbrio. Lembrei que os inimigos naturais das pragas podem ter desaparecido. Lembrei de borboletas e até de vagalumes.
Epa! borboletas são lindas nas flores do quintal. Na lavoura elas significam pragas. Bobagem. Borboletas são alegria e não têm culpa de sua metamorfose. Não significam pragas. Nem todo inseto é praga.
E então, cadê as borboletas? Pois é, não temos mais borboletas no campo. Pelo menos não temos mais aquela diversidade de borboletas.
Lembrei então de outra coisa importante, o livro didático ‘‘Borboleta, a Raridade Diária’’ de Dadi, tendo como editor Murilo Sampaio. O livro sugere que as pessoas façam um berçário de lagartas.
A boa literatura começa com o seguinte texto - que eu quero dedicar a todos os venenistas e ‘‘assinadores’’ de receitas e ‘‘caneteiros’’
do Paraná:
‘‘Suas cores e formas encantam as pessoas de países distantes e frios, que não têm nada assim, tão belo em sua terra natal. E essas belezas passeiam em nossos jardins todos os dias, mais no verão do que no inverno. Mas, seja qual for a estação, tem sempre uma aqui, outra ali. Já nos acostumamos com elas....São as borboletas’’.
Ou melhor, são as borboletas que sobraram.
Mensagem singela, escrita para as crianças. Fala da migração das borboletas para a cidade, com o fim da vegetação natural do campo.
Aqui entre nós: ocorrem coisas piores que a expulsão das borboletas. Há espécies que não migram para canto nenhum, apenas desaparecem.
H.Ramos Bezerra

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