A criação de avestruzes teve um impulso, aqui no Paraná, alguns anos atrás e, de repente, caiu da moda. Caiu da moda? Na verdade não é modismo não. Cada vez que uma atividade meio diferente não sobrevive, alguém, em geral o empreendedor, perde o dinheiro investido. Perde-se muito dinheiro, às vezes. A criação de javali também não decolou por aqui. E no reino vegetal? Quem se lembra do kiri, do rami?. Um dia inventaram uma engenhoca chamada biodigestor. Que porcaria! Aquilo foi ridículo.
Ninguém tem uma explicação para algo que não vingou. O sitiante morre de vergonha. Desconversa.
- Ah, já sei, no caso da avestruz, já sei o que houve - levanta-se Antonhadão entre amigos que discutiam o assunto na porta da Venda do Nove.
- Sabe nada! - desafia Zé Dutra. Se nem quem se aventurou não sabe, como você está sabendo.
- Foi o nome, insiste Antonhadão. Sei porque foi o nome. Bem... só pode ter sido o nome.
- Que nome? Querem saber logo os amigos que participavam da conversa. Vai Antonhadão! Se explica, vivente!
Antonhadão acaba de virar mais uma dose de pinga com conhaque, o antigo rabo-de-galo, se esforça, tenta várias vezes até que sai um palavrão:
- Estrutiocultura. É isso, gente! Quem cria avestruzes está praticando a estrutiocultura. Nome certo para um bicho feio daqueles.
O pessoal da roda já começa a olhar para Antonhadão com mais curiosidade. E ele aproveita para despejar tudo o que sabe.
- Do grego ao latim, a palavra tem vários significados, como ave-camelo. Já pensou?
- E como você sabe? Eu estudei porque até tentei criar os bicho. Diante de mil embaraços larguei mão logo no começo. Eu pelo menos não fiz como muita gente que enfiou a cabeça no buraco.
H. Ramos Bezerra
A conversa de hoje foi uma sugestão do leitor Ananias J.B. Pereira, de Arapongas. É para lembrar que o pessoal do campo às vezes é levado a investir em coisas que não vingam. Sempre é bom planejar a longo prazo.

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