No Dicionário de Economia do Século XXI, de Paulo Sandroni, uma das definições para o verbete ‘‘Revolução’’ é a ‘‘transformação radical de uma estrutua socioeconômica’’; quando há ‘‘transformações profundas no sistema de propriedade e na estrutura de produção e repartição dos bens’’.
  Portanto, não parece exagero afirmar-se que no Norte Novo e Novíssimo do Paraná duas revoluções ocorreram no decorrer de apenas 70 anos, ambas constituindo tema da reportagem nesta edição sobre a geada de 1975.
  A primeira, via modelo de colonização, movida por um produto exportável de alto valor, mas não implicando a monocultura absoluta. Assim, ‘‘o café, por natureza, foi o agente diversificador da agricultura’’ a partir da colonização de Londrina, afirmou Omar Mazzei Guimarães. Já segundo Claus Germer, basearam-se os pioneiros ‘‘em uma só cultura comercial’’, mas que dava vez a ‘‘uma policultura alimentar’’ pelos cultivos intercalares ou consorciados.
  Por razões de mercado e de uma circunstância imperiosa, a geada de 1975, veio a segunda revolução, com o café cedendo lugar às culturas mecanizáveis, prevalecendo a rotação soja-trigo. Da enxada para ao trator, mudava-se o principal produto de exportação.
  ‘‘As propriedades agrícolas que até então [em sua maioria] eram conduzidas apenas na enxada’’, segundo Wilson Baggio, personagem dessa história, após a geada de 75, já com ‘‘os restos de madeira e tocos da antiga floresta apodre-cendo’’, passaram às culturas mecanizáveis, ‘‘com trator, grade, arado etc., restringindo a cafeicultura do Norte do Paranᒒ.
  Houve, está claro, a
‘‘indução’’, o estímulo creditício governamental, que elevou, em uma década, o número de tratores no Paraná de 18 mil para quase 90 mil, sendo ainda impressionantes os valores referentes a fertilizantes e pesticidas por hectare, conforme dados oficiais.
  Enquanto se estruturava o Iapar, os primeiros experimentos de plantio direto no Brasil eram conduzidos na Fazenda Maravilha, em Londrina, e na Fazenda Renânia, em Rolândia, de Herbert Bartz. Em 175 hectares, Bartz fez o primeiro plantio direto de soja visando a uma safra comercial, em novembro de 1972.
  Já com as pesquisas do Iapar, indústrias no Brasil passaram a ter informações para fabricar máquinas e implementos adequadamente às características de solos. Ainda na década de 70, o avanço do plantio direto traz ao Paraná Norman Borlaug, o ‘‘pai da revolução verde’’ e Prêmio Nobel da Paz.
  Conforme dados de 2008, o plantio direto abrange cinco milhões de hectares no Paraná e 26 milhões no Brasil, representando mais de 50% da produção de grãos, segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp).

H. Ramos Bezerra - a prosa de hoje é uma introdução à história dos 35 anos da geada negra tratada na edição desta Folha Rural.

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