UM DEDO DE PROSA - Aprendendo com os animais
Essa semana Madruguésio recebeu um presente. A satisfação de nosso amigo foi tamanha que não houve vizinho que não tomasse conhecimento. ''Ganhar presente é bom. Ganhar um livro de presente é um elogio'', contou para os colegas. Madruguésio é um sujeito bem informado, gosta muito de ler. Ele é desses tipos que numa roda de amigos faz sucesso, conquista pelas boas ideias.
Na dedicatória do livro, exibida amplamente, lê-se: ''Sr. Madruguésio, tenho a impressão que este livro vai lhe ajudar na sua coluna tão interessante e instrutiva''. Só o texto já agradou Madruguésio, mais ainda a assinatura de quem enviou o livro, Dom Albano Cavallin, o arcebispo emérito de Londrina e que tornou-se conhecido como ''o bispo contador de histórias''. Ele sempre se utiliza de histórias - de própria autoria - para deixar mais interessante e catequético o que sermão das missas que celebra. ''Olha que eu tinha um santo leitor e não sabia!'', suspira Madruguésio, sentindo-se duplamente responsável pelas mensagens que repassa.
O livro chama-se ''Aprendendo com os animais'' e seu autor é Julião Ayrton. Para cada amigo, Madruguésio leu um conto do livro e depois da leitura teceu comentários sobre o emprego da história. Há pouco o ouvi contando mais uma, para um grupo de colegas.
''E tem aquela história dos dois cães. Um ancião, índio norte-americano, descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira: dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois vivem brigando. Quando perguntaram qual o cão que vence, o índio respondeu que é o alimentado com mais frequência.''
Madruguésio parou e olhou para as pessoas em roda. ''Dá pra entender porque há pessoas que se comportam como anjos a vida toda, e em alguns dias como diabos. É que andaram alimentando o cão errado.''
H.Ramos Bezerra
A prosa de hoje é um agradecimento a Dom Albano Cavallin pelo presente dado ao Madruguésio e que, com certeza, inspirará muitas das charges do mascote desta FOLHA RURAL





