Conheci José. Eu estava com pressa, atrasado para variar. Nem perguntei muita coisa, mas sei que o sítio dele, cinco alqueires, fica no Norte do Paraná. Tem vaca de leite, pomar, boa parte de olericultura e três alqueires mecanizados, rotacionando culturas. Filho de italianos, tem a pele morena do sol. Anos de enxada. Tá chegando aos 70. Pai de sete filhos, são três ''meninas e quatro meninos'', como ele diz, embora o mais novo já tenha 35 anos.
Dos filhos de José, só um, o segundo, ficou na terra e hoje trabalha com o pai. Dois são donos de comércio na cidade; um homem e uma mulher são médicos. As outras duas mulheres estão fora do País, acompanhando os maridos que trabalham no exterior. O caçula é advogado.
''Criei todos eles com o que consegui da terra. E para todos dei diploma de curso superior ou técnico. Sinto saudade das meninas que estão longe. Tem um neto que ainda nem conheço. Mesmo os que estão perto às vezes passam mais de 10 dias sem me pedir a bênção. São todos ocupados. Outro dia, fui no escritório do caçula e não consegui falar com ele. A moça da portaria disse que tinha que marcar hora. Não quis dizer que eu era o pai do doutor. Tava meio sujo de terra, ela nem ia acreditar'', ele conta, entre um gole e outro de café.
Mas as palavras de José não são em tom de lamentação. Pelo contrário. O homem é sorridente. ''Sabe moço, apesar de querer que eles estivessem mais por perto, sou feliz. Estão todos bem, arranjados. Eu e minha mulher somos pessoas de sorte. Soubemos criar bem. Acho que fui e sou bom pai'', derrete-se.
A história de José é uma das muitas e muitas de homens que labutaram no sol, enfrentaram as madrugas geladas e levaram as contas na ponta do lápis para dar um futuro aos filhos. Homens às vezes ríspidos para se fazer obedecer. Homens que parecem meninos ao brincar com os filhos. Homens que choram escondidos quando ganham uma lembrancinha humilde, feita na escola, de pedaço de papel, de suas crianças.
Na missa do Dia dos Pais, quando toca ''Utopia'' do Padre Zezinho - ''Eu tantas vezes / vi meu pai chegar cansado / mas aquilo era sagrado / um por um ele afagava'' - vejo que um monte de gente derrama lágrimas, lembrando do ''velho'', que já mora no andar de cima ou ainda está por aqui.
Então, se você é pai, amanhã pode derramar as lágrimas na frente de seus filhos mesmo quando eles te abraçarem. Pra quê vergonha?
Filho com certeza você é. Então diga obrigado a ele. De boca ou de alma. Feliz Dia dos Pais!
H. Ramos Bezerra

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