Um cadinho de história na beira da estrada
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2008
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Do alto da montanha, onde passa a PR-515, o viajante que vai chegando ao trevo de entrada para Jacarezinho (Norte Pioneiro) tem uma visão interessante: a sede, os terreirões e as casas dos colonos da fazenda São Jorge. Tudo herança do tempo em que os cafezais dominavam o Norte Pioneiro, região do Estado que foi a porta de entrada para a cafeicultura.
A paisagem é nostálgica e bela. Na verdade, um convite a uma visita, coisa que gente que gosta do campo não costuma enjeitar. Então, sem se fazer de rogada, a reportagem da FOLHA RURAL cruzou o mata-burro que está na porteira de entrada e foi bater palma no portão da sede.
O proprietário das belezuras é Douglas Kalil, 72 anos, um sujeito que nutre uma relação de amor e ódio com os cafezais. Já acabou com eles e os replantou algumas vezes. Ele conta que a São Jorge pertence à família Kalil desde 1948. As casas que servem aos colonos foram erguidas em 1955, assim como a sede, toda revestida de pastilhas de cerâmica. ''Precisou vir gente de São Paulo para fazer o serviço. Não tinha pedreiro por aqui que soubesse assentar esse material'', recorda, relatando que tudo foi feito tão bonito por capricho do patriarca, José, que também mandou fazer piscina e fonte luminosa.
Conservada com todo zelo, a casa da sede está desocupada. O proprietário e os filhos moram em uma outra mais rústica ao lado. Kalil diz que prefere o espaço mais simples por razões sentimentais, mas deixar o que foi construído pelo pai em perfeita ordem é questão de honra. ''Meu pai sempre quis oferecer conforto para a família e para os funcionários'', destaca.
Para encher ainda mais os olhos dos visitantes, em volta das construções ele soltou pavões. E como quem dá uma contribuição para as coisas belas, a natureza se encarregou de fazer com que nascessem alguns albinos entre as crias das aves. Geralmente, os pavões brancos só aparecem em cativeiros nos quais os criadores fazem o cruzamento voltado a esse fim. ''Nunca tive nem macho nem fêmea albino, mas eles começaram a aparecer'', conta kalil.


