Waldemar de Oliveira, que continua o trabalho de preservação da mata iniciado pelo sogro, há 70 anosA lição de ecologia começa logo no jardim da casa, localizada bem na área central da cidade. Orgulhoso das riquezas preservadas ao longo dos anos, o ex-advogado Waldemar Ribeiro de Oliveira (ou Nenzo, como é chamado pelos amigos) cita sem cansar os inúmeros nomes de espécies vegetais existentes no bosque de um alqueire e três quartas que mantém junto à residência, em Primeiro de Maio (Norte do Estado).
Apesar dos muitos anos de convívio com todas aquelas árvores, ele nunca conseguiu catalogá-las. Nem imagina quantas espécies são, mas sabe o nome de todas (ou quase todas): ‘‘Esta aqui é a acácia selvagem, que, segundo a lenda, forneceu a madeira para que os hebreus construíssem a arca da aliança, onde Moisés teria guardado as tábuas da lei’’, diz, apontando para a bela árvore que reina no antigo canteiro gramado em frente à casa, que hoje Waldemar transforma pacientemente em uma continuidade do bosque. Ali ele já semeou pés de guaritá, palmito, pau-d’alho, jaracatiá, açaí, peroba e jambo silvestre, entre outras.
Antes de começar a caminhada pela pequena floresta, retrato da vegetação que um dia reinou na região, ele faz questão de mostrar a desconhecida ‘‘pau-do-novato’’, espécie nativa do Pantanal mato-grossense, que recebeu este nome por ter uma particularidade: quando tocada, sai do tronco uma legião de formigas, que penetram através de pequenos buracos e ali ficam escondidas. ‘‘Dizem que os visitantes desavisados costumam levar grandes sustos com esta árvore, que dá flores belíssimas’’, esclarece o ex-advogado.

mockup