Um barril de pólvora
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de junho de 1997
Vânia Casado, Curitiba 
O Noroeste do Paraná está a ponto de se transformar numa região com graves conflitos em função da disputa de terras como no Sul do Pará e no Acre, quando ocorreram mortes de pessoas envolvidas. A advertência é do presidente da Federação da Agricultura (Faep), Ágide Meneguette, que culpa a omissão do Governo estadual e da polícia que não executa os mandados de reintegração de posse nas áreas que estão invadidas.
Para Meneguette, o Noroeste do Estado está se tornando uma extensão do Pontal do Paranapanema, em São Paulo. Aqui a situação é mais grave, porque o risco de morte é iminente e o clima é de guerrilha. Segundo ele, os sem-terras que estão nas áreas invadidas estão armados e o risco de um confronto é enorme. Por isso os proprietários devem recorrer a empresas de segurança, para proteger seus patrimônios, já que o Poder Público constituído não está cumprindo a lei, recomendou.
Não é esse o expediente utilizado pela indústria e comércio para proteger seus patrimônios?, perguntou. Pois agora essa também deve ser a iniciativa dos proprietários de terra que estão agindo dentro da lei, em não reagir às provocações. Além disso os próprios sem-terras não estão se entendendo entre eles, e por isso os proprietários precisam se proteger, acrescentou.
Para o presidente da Faep o Paraná é o Estado campeão em áreas invadidas: só em 96 ocorreram 46 invasões e a área mais preocupante é o Pontal do Tigre (Noroeste do PR), que está com 11 áreas de conflitos. Este ano já ocorreram mais nove invasões, das quais duas foram no Noroeste, informou Meneguette.


