O Paraná é a última fronteira da seringueira, segundo Jomar da Paes Pereira, especialista que atua no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e pesquisador aposentado da Embrapa. A planta, cuja área se limitava à região amazônica até a década de 1970, hoje ocupa espaços nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e zona da mata de Pernambuco e, mais recentemente, norte e noroeste do Paraná.
''Temos material selecionado, tecnologia e ainda as dimensões continentais do país'', diz Pereira, um dos entusiastas do potencial da heveicultura - nome dado ao cultivo da seringueira. Segundo ele, o Brasil que já foi um dos maiores produtores de borracha, hoje importa quase 70% do que consome. No ano passado, por exemplo, produziu 105 mil toneladas do produto e consumiu 305 mil toneladas. Pereira afirma que 90% da borracha utilizada pelo Brasil vêm de países asiáticos e africanos. O déficit do Brasil não é único: estima-se que entre os anos 2030 e 2035 vão faltar cinco milhões de toneladas de borracha no mundo.
O pesquisador ressalta o potencial paranaense para o produto, sobretudo no noroeste que tem condições de solo e clima favoráveis.''O noroeste tem 34 mil quilômetros quadrados de área, mas somente mil hectares são destinados atualmente à seringueira'', afirma.''Fisicamente o arenito é favorável ao crescimento da raiz e a região precisa de espécies que fixem o carbono e a seringueira cumpre essa função'', explica.
Outra vantagem do noroeste, segundo Pereira, é a temperatura média de 20 graus centígrados e algumas características, como o clima quente e úmido no verão e frio e seco no inverno.
''São inúmeras as possibilidades para o plantio da seringueira'', defende Pereira. A heveicultura pode ser consorciada com diversas culturas, especialmente o café. A planta também favorece a proteção do solo, prevenindo a erosão em locais acidentados
''A vantagem do plantio em consórcio é que, enquanto a planta não começa a produzir, o produtor pode tirar sua renda das culturas intercaladas'', afirma. Segundo ele, a sombra da seringueira sobre os cafezais possibilita um aumento no tamanho do grão do café, sem apresentar alteração em relação ao sabor ou qualidade do produto, além de evitar os efeitos negativos da geada.
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Após sete ou oito anos, a seringueira começa a produzir. Nos primeiros quatros anos, é possível fazer a retirada da borracha durante 10 meses consecutivos. A partir desse período, a planta produz ininterruptamente por um período de até 35 anos. Depois disso, a madeira ainda pode ser aproveitada. ''A rentabilidade é de R$ 500 a R$ 600 por hectare ao mês, exigindo a dedicação de apenas três horas ao dia'', diz o pesquisador. O custo de implantação do seringal em área pequena custa pouco mais de R$ 4 mil por hectare, com mudas e insumos.
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