De Londrina, ressalve-se. O novo século trará bovinos ainda mais especializados do que os animais que vêm sendo mostrados, todos frutos de pesquisas e do cruzamento entre raças, visando oferecer maior quantidade de carne, em curto espaço de tempo. Isto é obtido através do cruzamento industrial, que tem sido um mote só nas últimas mostras realizadas aqui. Tanto que Londrina, dizem dirigentes da Sociedade Rural, pode ser considerada o ‘‘berço’’ do cruzamento industrial.
Esta afirmação fundamenta-se no fato de que esta região transformou-se num ‘‘divisor de águas’’ entre o gado europeu das regiões mais ao sul e o zebu que predomina daqui para o norte. O próximo século trará ainda, para a exposição, novidades como agricultura de precisão, orientada por satélite; provavelmente plantas transgênicas e, do outro lado, plantas orgânicas, entre outras tecnologias que já estão sendo aplicadas em algumas partes do mundo. Uma dessas tecnologias é o uso de satélites também para movimentar máquinas e equipamentos agrícolas, de maneira que um adubo, por exemplo, seja aplicado no local onde é exigido, no momento adequado e na quantidade exata para não ser um desperdício.
O próprio recinto da Exposição de Londrina, o Parque Ney Braga, dará de presente à comunidade um serviço que ela sempre reclama: o Centro de Eventos da Sociedade Rural do Paraná, cujo projeto estará sendo apresentado à comunidade na exposição deste ano. O recinto será construído em área de 22 mil metros, para abrigar grandes promoções, como congressos científicos e tecnológicos.
Hoje mesmo a Exposição nem faz lembrar as primeiras mostras, quando bois e cavalos eram amarrados aos eucaliptos do Jóquei Clube, por não haver naquele lugar baias ou pavilhões. E em vez de milhares de animais, os cavalos e bovinos participantes mal passavam da centena. ‘‘A importância de uma Feira é medida pelo poder que ela tem de fazer transformações, oferecer tecnologias ao alcance de todos, em todos os segmentos, e isto a Exposição de Londrina tem’’, dizem Francisca Elza Batista Maemura e Robson Casagrande, em artigo apresentado ao curso de Pós-Graduação em Marketing - Desenvolvimento e Percepção, da Universidade do Norte do Paraná (Unopar),orientados pelo professor Miguel Luiz Contani.
Os pós-graduandos observam que ‘‘a Exposição de Londrina movimenta tudo; oferece oportunidades de negócios, lazer, diversão, conhecimento tecnológico, empregos - mexe com a região, que respira e vive do acontecimento nos dias em que (a Exposição) se realiza. Isto sem contar os dois meses que a antecedem e duas semanas após, quando um contingente enorme de pessoas trabalha exclusivamente em função do sucesso do evento.’’
Quando o parque Ney Braga foi criado, no começo dos anos 60, tinha cerca de 5 alqueires. Atualmente são 17 alqueires, onde acha-se também uma ‘‘vitrine de tecnologia’’ da agricultura, a ‘‘Fazendinha’’, com 10 mil metros quadrados ‘‘que demonstram as vantagens da diversificação rural, com exemplos de plantações e criações sob acompanhamento direto de técnicos da Emater e Iapar’’. Outra novidade, no Parque, é o Campo de Tecnologia, que também oferece possibilidades ao agricultor, durante todo o ano, de manter contato com novas tecnologias.
MarketingNo trabalho de pós-graduação para a Unopar, Maemura e Casagrande destacam o papel da Exposição como importante peça de marketing de Londrina: ‘‘A Sociedade Rural do Paraná (SRP), a Associação Comercial de Londrina (Acil) e a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) querem transformar a Feira em uma festa de toda a cidade, estendendo-a para o centro, para que ela não fique limitada ao parque. E, também, que empresas, comércio e comunidade em geral adotem o ‘Clima de Festas Country’, fazendo com que Londrina torne-se uma Capital Rural do Brasil, não só na época da Feira, mas também depois do período da Feira. Isto é o marketing da Exposição para a cidade de Londrina, com o objetivo de incrementar o comércio e o turismo, lançando-a como o novo pólo de negócios, durante todo o ano e não só neste período.’’

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