UEM aponta solução para reduzir efeitos da deriva
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sábado, 18 de dezembro de 2004
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
O herbicida 2-4,D não é necessáriamente uma ameaça às plantações vizinhas. Basta respeitar o estágio de desenvolvimento das plantações expostas ao risco.
Pesquisa realizada por professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) mostra que a intensidade do dano varia de acordo com o estágio de evolução da planta.
O objetivo do trabalho segundo o professor Rubem Oliveira, do departamento de Agronomia, especialista plantas daninhas, foi de avaliar a intensidade dos prejuízos da deriva por herbicidas a base de 2-4,D. Os produtos com essa formulação oferecem uma importante relação custo/benefício para os produtores de grãos, especialmente no sistema de plantio direto, justifica.
A pesquisa feita em conjunto com o professor Jamil Constantin, do mesmo departamento, teve início em 2002, em municípios da região de Maringá e do Vale do Ivaí. Foram avaliadas lavouras de uva, tomate, fumo e algodão, consideradas as mais sensíveis entre as culturas praticadas na região.
A conclusão dos professores é que, além do uso correto das tecnologias de aplicação do veneno, o respeito à fase de desenvolvimento das plantas sensíveis, permite um convívio mais saudável. Existem épocas de mais suscetibilidade, garante Oliveira. A pesquisa avaliou essas culturas em vários estágios de desenvolvimento. As lavouras estudadas foram de produtores que se habilitaram aos testes. Aplicamos o 2-4,D diretamente nessas culturas em quantidades semelhantes às espalhadas pela deriva, informa.
O trabalho foi apoiado pelas três indústrias multinacionais responsáveis pela produção de herbicidas com o 2-4,D (Milênia, Basf e Dow Agrosciences). Essas empresas, que integram a Força-Tarefa nas campanhas de prevenção da Deriva, cobriram os prejuízos sofridos pelas lavouras pesquisadas.
De acordo com a pesquisa, o período mais crítico para todas as culturas vai do crescimento à floração. Na uva, por exemplo, a pior fase se dá logo após a poda,
no crescimento
dos brotos. A sensibilidade ao produto, com risco de danos, vai diminuindo a partir da formação dos cachos. Quando os cachos completam 50% de sua evolução o risco é praticamente nulo, informa.
Nos tomateiros foram registradas ocorrências semelhantes às da uva. Oliveira explica que a evolução do tomateiro é caracterizada pela formação dos cachos de tomates. Depois de quatro cachos formados, a sensibilidade ao 2,4-D também é muito pequena, garante.
No algodão, após a formação das bolas a sensibilidade é praticamente nula. Já a cultura de fumo se monstrou bem menos sensível e pouca coisa foi encontrada relata Oliveira.
O período da poda de inverno da uva, exemplifica o pesquisador, são os meses de julho e agosto. Os novos brotos começam a nascer, em média, 20 dias após a poda. Assim, o período mais crítico seria o mês de setembro. Já o período de dessecação das culturas de verão (soja e milho) vai do final de setembro até meados de outubro.
Como a fase de plantio da soja se estende até final de novembro, pela análise do pesquisador, é possível um pequeno retardo no preparo da terra sem danos para o desenvolvimento da cultura nem para os produtores vizinhos de culturas sensíveis. Esperamos que a divulgação dos resultados da pesquisa contribua para a conscientização dos produtores, destaca. O produtor de grãos precisa fazer a sua parte: a melhor aplicação possível, completa.
Quanto a cultura de algodão, Oliveira diz que os produtores no Mato Grosso, já que no Paraná as áreas de cultivo estão bastante reduzidas, estão deixando o plantio para os meses de dezembro e janeiro. Assim eles escapam da desseca.


