Jota Oliveira
De Londrina
Tendo como tema ‘‘Plantas Transgênicas’’, realizou-se dia 11 deste mês, no anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina, a ‘‘3ª MATA – Mostra Acadêmica de Trabalhos de Agronomia’’, promovida pelo Departamento de Agronomia, visando integrar os alunos e professores para a discussão da Ciência Agronômica. Apesar do tema central referir-se à transgênese, os trabalhos inscritos abordaram os mais diversos aspectos dessa área de conhecimento, inclusive plantas medicinais.
Foram apresentados 95 trabalhos de pesquisa, elaborados por acadêmicos sob orientação de professores. Eles trataram, entre outros assuntos, da produtividade da cana-de-açúcar, qualidade de sementes de soja, aspectos das culturas de feijão, arroz, milho, café, mandioca, plantas medicinais, orquídeas; propagação in vitro, clonagem, indução do florescimento em algumas frutíferas; produção natural, orgânica e convencional. Os trabalhos estenderam-se pelos principais ramos da Ciência Agronômica: melhoramento vegetal, entomologia, fitopatologia, solos, engenharia rural, crédito rural, consultoria agronômica, paisagismo, e um trabalho analisou a herdabilidade da circunferência escrotal em bovinos da raça limousin.
MedicinaisA estudante Carolina S.G. Alcover, orientada pelo professor José Roberto Pinto de Souza, estudou a difusão e cultivo de plantas medicinais no município de São Jerônimo da Serra (Norte do Paraná). No início do seu trabalho, ela observa que ‘‘o uso de plantas medicinais pela população mundial tem sido muito significativo nos últimos tempos’’.
Para comprovar o que diz Alcover refere-se a uma informação divulgada pela Organização Mundial de Saúde (OMS, órgão da ONU): cerca de 80% da população mundial fazem uso de algum tipo de erva, ‘‘na busca de alívio de alguma sintomatologia dolorosa.’’ Carolina Alcover observa que a utilização de plantas medicinais ‘‘tem recebido incentivos da própria OMS, principalmente para populações de baixa renda’’.
Essa constatação levou Carolina Alcover a se interesssar pela divulgação da importância de plantas medicinais, seu cultivo e formas corretas de uso para a população de São jerônimo da Serra, um dos municípiois ‘‘mais pobres do Estado’’. A estudante de Agronomia analisou questionários distribuídos à população urbana e rural do município, para saber quais plantas medicinais eram mais empregadas e quais as doenças mais comuns.
A pesquisa identificou, como espécies mais utilizadas em São Jerônimo da Serra: alecrim, babosa, bálsamo, boldo, capim-limão, carqueja, confrei, erva-cidreira, guaco, hortelã, mil-folhas, losna, poejo e quebra-pedra. Essas plantas são as mais uadas ali, porque cada uma é indicada para uma das doenças mais comuns no município: gripe, tosse, problemas do aparelho respiratório, problemas do estômago, dores de barriga e cabeça, verminoses, ansiedade e insônia.
Orientada pelos resultados da pesquisa, a administração municipal de São Jerônimo da Serra instalou o Horto Medicinal e mandou confeccionar uma cartilha com descrição das plantas medicinais, seu cultivo e seu uso. Além disso, foram dadas palestras sobre a importância dessas plantas e técnica de cultivo, para alunos e professores das escolas de 1º e 2º graus.

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