Países exportadores de carne de frangos e suínos, como o Brasil, têm agora apenas dois anos para se ajustar às normas européias, sob pena de perder o acesso a esse importante mercado comprador. O Parlamento da União Européia está prestes a tomar mais uma decisão voltada ao aumento da segurança alimentar no continente: a redução, em um ano, do prazo-limite para o banimento dos últimos quatro antibióticos promotores de crescimento usados na produção animal.
A retirada dos antibióticos avilamicina e flavomicina a partir de 1º de janeiro de 2005 significa que a partir dessa data nenhum alimento de origem animal que contenha esses antibióticos poderá ser produzido ou ingressar na União Européia.
Com isso, as indústrias brasileiras terão que substituir os antibióticos avilamicina e flavomicina, hoje utilizados na produção de frangos e suínos, por aditivos naturais, que substituem os promotores de crescimento com eficácia, mantendo os níveis de produtividade da avicultura e suinocultura brasileira sem deixar resíduos nas carnes, o pesadelo dos europeus.
A solicitação pela retirada desses antibióticos foi feita pelo comissário responsável pela Saúde e Proteção ao Consumidor, David Byrne e, se aprovada no Conselho de Ministros da UE, entre 16 e 19 de dezembro, fará com que os antibióticos avilamicina e flavomicina estejam definitivamente proibidos na UE a partir de 1º de janeiro de 2005 (e não mais de 2006, como estava definido anteriormente) e que a monensina sódica e a salinomicina sejam banidas a partir de 2008.
O banimento de antibióticos promotores de crescimento começou pela Dinamarca, em 1994, e ganha força na UE, que tem dado muita atenção à segurança alimentar, controlando com extremo rigor os produtos colocados à disposição dos consumidores.
O Comissário de Saúde e Proteção ao Consumidor da UE entende que os antibióticos promotores de crescimento devam ser banidos da alimentação animal porque eles entram na cadeia alimentar das pessoas e contribuem para a maior resistência de antibióticos usados na saúde humana.
Segundo o veterinário Guilherme Minozzo, da Alltech do Brasil, com sede em Curitiba, a empresa possui um produto alternativo aos princípios ativos que serão banidos - o mananogligossacarídeo fosforilado que, associado a ácidos orgânicos e enzimas, tem poder de adsorver bactérias que provocam doenças.
De acordo com Minozzo, esses princípios ativos, que os europeus estão tentando banir, são utilizados também como terapêuticos em ruminantes, como os bovinos, mas isso não deverá afetar o mercado de expotação de carne bovina, que tem um rígido controle de produção e venda para o mercado externo, atendendo todas as especificações dos compradores. ''Eles não poderão ser usados como promotores de crescimento em aves e suínos. Isso não quer dizer que estarão proibidos como terapêuticos em outros animais.''

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