O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, afirmou segunda-feira, 7/9, em Londrina, que pode interferir na decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sobre a liberação do plantio comercial da soja transgênica. Segundo o ministro, tudo vai depender da viabilidade comercial dessa soja. ‘‘Temos que ver o custo-benefício do produto. Pode haver redução dos custos de produção, mas as exportações podem ser inviabilizadas’’, explicou.
Turra disse que os maiores importadores da soja brasileira são países com restrições a materiais geneticamente modificados. A maior parte do produto nacional exportado vai para a União Européia, onde praticamente todos os países limitam ou proíbem a comercialização de produtos transgênicos. Outro grande importador é o Japão, que recebe anualmente do Brasil cerca de 4 milhões de toneladas de soja. Além das restrições aos materiais transgênicos, o Japão tem preferido importar produtos orgânicos ou com uso reduzido de químicos. ‘‘Esses dados devem ser levados em consideração e não apenas os aspectos ambientais da soja transgênica. Temos que nos adequar ao mercado consumidor’’, argumentou.
Para subsidiar a decisão, que será tomada na próxima semana, Turra solicitou à Embrapa estudos sobre o assunto. O Ministro promete posicionar-se contra a liberação do plantio comercial da soja transgênica no País, e intgervir no caso, se ficar provado que o cultivo terá impacto negativo na exportação brasileira desse produto. A CTNBio votará a desregulamentação da soja transgênica em reunião marcada para os dias 17 e 18 deste mês.
TrigoSegundo Turra, o Ministério da Agricultura e do Abastecimento está dando atenção especial ao trigo. Um grupo permanente de estudos foi formado, em parceria com a iniciativa privada, para analisar e desenvolver políticas de apoio à triticultura nacional. ‘‘Apostamos no trigo, que é uma cultura muito importante para o Sul do País’’, disse.
Por enquanto, as medidas concretas para fortalecimento da produção no Brasil ficam por conta dos leilões do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP), que garantem o preço mínimo ao produtor, e da ‘‘conscientização’’ dos proprietários de indústrias moageiras para que dêm preferência para o produto nacional. ‘‘A indústria deve valorizar o trigo brasileiro, que é de excelente qualidade. Com isso, cria-se mercado e, consequentemente, incentiva-se a produção’’, argumentou.
A produção brasileira de trigo tem sido insuficiente para abastecer o mercado interno. Para este ano, a previsão é de que o País produza 2,5 milhões de toneladas do grão, se as chuvas não prejudicarem a colheita no Paraná. Esse volume atende apenas a 30% da demanda interna, que é de 8,5 milhões de toneladas. ‘‘Mas temos condições de alcançar a auto-suficiência. Só que o processo é lento e a longo prazo’’, afirmou Turra. Por enquanto, a solução está na importação. Setenta por cento do trigo importado vêm da Argentina.

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