Turquino vende terra para projeto social em MT
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sábado, 14 de dezembro de 2002
Reportagem Local 
Depois de 19 anos, os paranaenses José Moacir e Hélio Turquino deixam o Mato Grosso na certeza de terem fincado sua marca no distante município de Brasnorte, 550 quilômetros ao Norte de Cuiabá e a uns 300 quilômetros depois de Tangará da Serra. Abriram matas, construíram estradas, pista de pouso, instalaram serraria, criaram gado na Gleba Tibagi. Mesmo depois de implantada a infra-estrutura, permanecer na fronteira do desenvolvimento agrícola ainda é uma ousadia, segundo Moacir Turquino, uns dos primeiros a chegar ao local, em 1981.
Hoje, além das dificuldades naturais, ainda que menores do que naquele tempo, segundo os pecuaristas, a burocracia aumentou, segundo Moacir Tuquino, tirando a liberdade dos empreendedores. Os incentivos, de acordo com o pecuarista, agora são para projetos de assentamento. Pelo menos têm uma função social, e importante é produzir.
Mas os Turquinos também deixam na região sua colaboração à reforma agrária. Uma área de 10 mil hectares foi vendida ''simbolicamente'', de acordo com os pecuaristas, ao Banco da Terra, para assentamento de 360 famílias.
O preço, revela Moacir Turquino, foi de R$ 500,00 por alqueire (24.200 metros quadrados, 2,42 ha) com muitas benfeitorias - comparados ao preço de mercado de cerca de R$ 1.000,00-por alqueire, que tem como moeda de troca a saca de soja, cerca de 30 sc por alqueire.
Nesta semana, a escritura está sendo registrada no município de Diamantino. Depois os papéis são enviados ao Banco do Brasil de Brasnorte, que inicia a liberação de recursos para os assentados, que logo estarão chegando. Mas daí para frente é tudo com os técnicos do Banco da Terra, com uma cooperativa de trabalhadores e uma cooperativa que está organizando as famílias de assentados. ''O MST não participa'', diz Turquino. E continua, ''é uma reforma agrária sem invasão, sem briga, enfim é um modelo ideal para o Brasil,'' afirma. O projeto, segundo ele, é ''um colosso.'' Envolve cerca de R$ 11 milhões só de energia elétrica são mais de 160 km de rede, cobrindo quase toda a área a ser dividida.
E os Turquinos se vêm pioneiros de mais uma empreitada, desta vez, como participantes de um projeto de reforma agrária que se orgulha de ser pacífico e sem exploração política. Moacir, particularmente acha que a idéia poderia servir de modelo.
Turquino afirma que a determinação da família continua - ''agora só aqui perto de casa'', segundo Moacir - na fazenda que já vinha conduzindo em El Dorado, Mato Grosso do Sul e Bela Vista do Paraíso no Paraná.


