A família de Paul Curtis Orchard descobriu no turismo rural uma nova fonte de renda. Depois de plantar soja e não obter o rendimento necessário, Paul resolveu investir na produção de maçãs como forma de agregar valor à sua propriedade - vendendo frutas in natura e subprodutos como sucos, geléias e outros. Montou um sistema de colhe e pague para atrair as pessoas da cidade e uma confeitaria com produtos à base da fruta na entrada fazenda.
Da estrada o visitante é convidado a saborear as delícias do local. Segundo Randy, genro de Paul, com a demanda crescente de visitantes, há períodos que eles compram frutas de outros produtores para atender a procura, notadamente de gente da cidade que gosta de visitar o campo nos finais de semana.
Essa história poderia muito bem se passar no Paraná, um Estado que tem se destacado em projetos que incentivam a transformação de antigas áreas de agricultura em espaço de lazer para a população urbana. Mas a família Curtis é de Champaign, em Illinois, no meio oeste americano, localidade visitada por um grupo de produtores paranaenses no final de setembro. A viagem foi organizada pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), e abrangeu também a visita a grandes áreas de soja e milho naquele País, com objetivo de conhecer como vivem e trabalham os agricultores americanos, sejam grandes ou pequenos, como os Curtis.
A propriedade da família é um dos roteiros do turismo rural daquela região. Na antiga área de soja foram plantados 700 pés de maçã em 1977. O negócio evoluiu e hoje em 9,6 hectares já são 24.500 árvores, todas dependendo da polinização de abelhas, com uma colméia por 0,40 hectare.
No local o visitante pode pegar seu cesto e colher o quanto quiser, paga-se por quilo. O sistema é uma alegria para as crianças, conta Paul. Além de colher as frutas, a criançada usa o lugar para festas de aniversário, com objetivo também de valorizar o é produzido no campo, completa Joice, mulher de Paul.
Na loja-confeitaria os clientes encontram tudo que se pode querer a base de maçã, do suco até a cidra, também fabricada no local com as frutas que não são indicadas para o consumo in natura. A produção total é de 2 a 3 milhões de frutas/ano. A maior parte é vendida em pacotes de três quilos em média. Só com a fruta in natura, vendida por US$ 1,46 o kg (em média), o lucro bruto do negócio fica em US$ 158 mil ao ano.
A colheita é manual - no pico é contratada mão-de-obra temporária. Ao todo são 72 pessoas que ganham de US$ 6.75 a US$ 10 a hora por meio período. Toda a seleção para industrialização da fruta é feita com a mão-de-obra familiar. Os Curtis não se preocupam com intermediários, tudo é vendido na propriedade.
Paul não revela custo de produção, nem a rentabilidade. Só admite que investe 5% da lucratividade em propaganda de seu negócio, feita em outdoors, mídia na tv e rádio, além de cupons promocionais em supermercados. Dos produtores paranaenses que estiveram por lá em 1999 - data em que a Federação da Agricultura do Paraná promoveu uma série de viagens aos Estados Unidos, inclusive na propriedade dos Curtis - ficou visível a evolução da atividade. De um simples barracão na entrada da propriedade, hoje o local tem parque para crianças, cavalos para passeio e a confeitaria.
Na condução da lavoura há bastante cuidado no uso de agrotóxicos, revela Joice, mulher de Paul. O cuidado é para não afetar as abelhas e também garantir um produto com o menor resíduo possível, para ser saboreado na hora da compra. São servidos pedaços das 40 variedades.

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