Turismo rural depende de legislação própria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O Paraná tem potencial para o turismo rural, mas esse campo ainda é pouco explorado e carece de legislação. A opinião é da professora Agnes Jaloto Franzotti, que concluiu seu mestrado sobre desenvolvimento rural, na Universidade Santiago de Compostela Espanha , em conjunto com a Universidade Tras-Os-Montes Portugal. Ela fez a dissertação sobre turismo rural, que tem como objetivo o desenvolvimento de atividades que não a produção agrícola. E justifica: ''Fiz o mestrado em um lugar onde o turismo rural deu certo e está bem desenvolvido. Quero poder colocar em prática, aqui no Brasil, as coisas que aprendi. Cada lugar tem suas peculiaridades, mas aqui não falta recursos naturais. As possibilidades são grandes.''
A idéia do turismo rural, segundo Agnes, é melhorar a economia local. Em sua maioria são pequenos produtores que querem melhorar a renda da propriedade, e sempre preservando o meio ambiente. Ela relata que no Turismo Rural são realizadas atividades ''ao ar livre'', como andar de bicicleta, fazer trilhas a pé, andar de jipe. ''As pessoas buscam essas alternativas para descansar do estresse do dia-a-dia''.
Esse turismo, destaca Agnes, caracteriza-se por atividades de pequenos grupos. ''Esse não é um turismo de sol e praia, não é um turismo para a massa'', reforçou. Ela contou que esse foi um dos temas debatidos no 3º Congresso Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, realizado no mês de maio, no Rio Grande do Sul. A questão de proteção ambiental também foi muito discutida. ''Existe uma preocupação em relação aos cuidados com a natureza. Na Europa isso é muito respeitado'', enfatizou.
Para Agnes o que pode contribuir muito para o desenvolvimento deste setor no Brasil e na região é a criação de uma lesgilação. Na Europa tudo está bem definido, o que é turismo de habitação, agroturismo, turismo rural e outros. ''Aqui ainda está tudo misturado e as pessoas acabam achando que tudo é ecoturismo'', observou.
Agnes explica que no turismo rural existe a preocupação de preservar a natureza e envolver economicamente a população local. ''Às vezes os proprietários de sítios e chácaras até moram em suas propriedades e alugam os quartos da casa para os turistas'', exemplificou. ''O contato é muito pessoal e isso, é o que os turistas querem: ser chamados pelo nome, comer uma comida caseira (mesmo em viagens), não simplesmente ser mais um em um hotel'', acrescentou a professora.
Além disso, a lesgilação delimitaria o campo desse turismo e regeria o novo segmento. A lei poderia também contribuir para que, futuramente os proprietários rurais interessados, pudessem ter acesso a subsídios, ou seja, linhas de créditos para incrementar os negócios. ''Na Europa, os proprietários recebem incentivos, mas na lesgilação estão todas as regras, como por exemplo, a obrigação de permanecer nesse ramo, duarante cinco anos, no mínimo'',esclareceu.
A lesgilação prevê ainda, tudo o que é necessário para os alojamentos das propriedades: ter hospital próximo, higiene e número de refeições oferecidas, número de leitos no mesmo quarto e outros. ''Tudo, é logico, depende do tamanho da propriedade'', reforçou.
De acordo com Agnes, falta também mais divulgação, que de certa forma, é um incentivo para o negócio. Ela disse que no país já existe uma revista sobre turismo rural e um programa de televisão, o ''Repórter Eco'', da TV Educativa, que divulga o turismo rural pelo lado certo, mas ainda é pouco.


