O mercado de terras no Paraná deve sofrer com menor intensidade os impactos da crise financeira global. A consolidação do Estado como produtor de grãos faz com que o movimento do setor se limite a negócios de ampliação de área de plantio, geralmente entre vizinhos. O Paraná também tem uma realidade diversa dos demais estados quando se compara o valor do hectare. Enquanto a média brasileira no bimestre setembro-outubro foi de R$ 4.341 o hectare, no Paraná o valor no período foi de R$ 8.961/ha.
Em comparação com o ano passado, o hectare de terra no Paraná, que custava R$ 7.299,7 teve uma valorização nominal de 23%, bem acima dos índices de inflação registrados no período. O ganho real chegou a 10,5%.
''O Paraná tem uma dinâmica própria'', avalia Jacqueline Bierhals, analista de mercado da consultoria Agra FNP, de São Paulo. As condições de fertilidade do solo, rede de agroindústrias e relativa facilidade de escoamento garantem ao Estado uma condição privilegiada. ''Nesse estado (PR) o preço da terra é indexado por sacas de soja'', afirma.
Em algumas regiões o valor do hectare chega a duas mil sacas de soja. Mesmo no Paraná há diferenças nos valores. Cascavel e Toledo, no oeste, são as áreas mais caras e onde se paga até R$ 26 mil por hectare. Na região norte, o valor fica entre R$ 19 mil e R$ 20 mil. Segundo a analista, a diversidade climática entre as regiões determina a diferença. ''No norte podem ocorrer veranicos que interferem na produção'', diz.
A estabilidade do mercado de terras paranaense também é resultado da liquidez no setor. De acordo com a analista, aqui, ao contrário do que ocorre em outras regiões, como o centro-oeste, o produtor não tem necessidade de se defazer de terras para conseguir capital.
Apesar de uma pequena retração, natural diante da turbulência que atinge o mundo, a venda de terras deve seguir o seu curso normal. O valor dos negócios sofrerá a interferência das variações da soja. ''Dificilmente, o valor voltará aos US$ 16,00 o bushel do mês de julho'', diz Bierhals. No entanto, os negócios com a commodity serão compensados com a alta do dólar. Mas a remuneração da terra é garantida com o número de sacas contratadas para o negócio.
As terras brasileiras despertam o interesse de investidores estrangeiros. O aumento da demanda por alimentos e por matérias-primas para produção de biocombustíveis vão exigir novas áreas de plantio, condição que existe no Brasil e que o coloca em situação privilegiada perante os outros produtores no mundo. ''Países como Estados Unidos, China e Argentina não têm áreas disponíveis para a agricultura'', diz.

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