'Tudo fica mais fácil quando somos unidos'
É meio-dia, o sol é escaldante, mas seu Jesus não se intimida: o café precisa ser colhido. A paciência refletida na coleta seletiva dos grãos garante qualidade à produção, que rende em torno de 150 sacas beneficiadas por safra. E é graças ao café fino cultivado no sítio, em Lerroville, que o produtor sustenta a família ''com dignidade''. Detalhe: a renda familiar é de cerca de R$ 500 mensais, conforme calcula o produtor.
Seu Jesus, como é mais conhecido, ou Jesus Paulo Silva, o nome completo, tem 62 anos, a maioria deles vivida no campo. Morador do bairro Água da Laranja Azeda há 30 anos, há duas décadas comprou o sítio de seis alqueires onde vive com a família. O café domina a paisagem e o tempo do patriarca.
Dos sete filhos, apenas um permaneceu na roça para auxiliar o pai. ''O resto preferiu trabalhar e morar na cidade'', conta o cafeicultor. Ao lado dele, no cafezal, a nora Angelita, 27 anos, ensina o trabalho aprendido quando criança ao filho pequeno. Ainda sem poder colher como a mãe e o avô, o futuro cafeicultor apenas rastela a palhada para longe da lavoura, como passatempo. Orgulhoso, seu Jesus reconhece que, hoje, ''a mulher está em pé de igualdade com o homem no campo''.
''Nos primeiros dias o trabalho é complicado, mas a rotina o torna cada vez mais fácil'', declara Angelita, explicando porque prefere trabalhar no cafezal e não na cidade. ''É bem melhor colher café do que lidar com o público''. brinca.
O trabalho árduo da família Silva tem sido compensado pelos bons preços conseguidos com a venda conjunta da produção, explica seu Jesus. Ele vende o café em parceria com os vizinhos. Juntos, eles formaram, há oito anos, a Associação dos Produtores Rurais da Água da Laranja Azeda (Aprala), para facilitar a compra de insumos e garantir melhores preços de venda para o café produzido na região.
''Há oito anos montamos um lote com o café de alguns produtores do bairro e o entregamos a um corretor da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina para comercialização. Aguardamos até ele conseguir um preço superior ao praticado pelo mercado e então vendemos. Fizemos um bom negócio porque, no dia seguinte à venda, a bolsa caiu'', relembra o produtor Fábio Gonçalves dos Anjos, vizinho de seu Jesus. ''O sucesso da experiência interessou toda a comunidade e, logo depois, resolvemos criar a associação'', completa.
No ano seguinte, recorda Fábio dos Anjos, o grupo conseguiu comprar duas carretas de adubo por um preço abaixo do praticado pelo mercado e as ações conjuntas não pararam mais. Para este ano, a meta é produzir alimentos para o chamado mercado justo, voltado, principalmente, para compradores estrangeiros. ''Tudo ficou mais fácil quando resolvemos nos unir'', sentencia seu Jesus.





