Tudo começou com o café
Uma das primeiras culturas trabalhadas pelo Iapar foi o café. Com a crise de preços no início da década de 1970, muitos produtores tiveram sérios prejuízos. Uma das consequências foi a desistência de muitos cafeicultores que, sem esperança, mudaram de atividade. Para aqueles que persistiram, uma das alternativas colocada pelo pesquisadores do Iapar foi iniciar pesquisas com cafés de melhor qualidade e menos suscetíveis às intempéries. O objetivo desses projetos era conquistar o mercado de cafés de qualidade, o que garantiria bons preços.
Somado a isso, para melhorar ainda mais o potencial de produção das lavouras paranaenses, todo o sistema cafeeiro do Estado foi transformado com a ajuda do Iapar. Uma das primeiras indicações da entidade foi acabar com a monocultura do café, abrindo espaço para rotação com outras culturas, como soja e milho.
O segundo passo dos pesquisadores naquela época foi desenvolver um zoneamento agroclimático. O objetivo da pesquisa era definir áreas de plantio com o menor risco de intempéries, principalmente as geadas. Além da escolha do local, para completar esse pacote, pesquisadores começaram a desenvolver novas tecnologias que envolviam variedades e sistemas de manejo.
Atualmente, são cerca de 75 sistemas que ajudam o produtor a produzir mais e melhor. Eloi Ferri, cafeicultor da região de Londrina, possui pouco mais de 7 hectares de café. Desses, um hectare foi plantado com uma variedade do Iapar. ''A produção chega a ser igual se comparada com outros tipos de café, mas a qualidade do fruto é muito superior'', observa. Segundo o produtor, um dos diferenciais do café do Iapar é o tamanho do grão e o encorpamento do pé, que garante maior resistência física das plantas.
Armando Androcioli, pesquisador da área de café do Iapar, anuncia que novas pesquisas já estão em desenvolvimento para a criação de uma variedade com um fruto ainda maior. ''A qualidade e o tamanho dos nossos grãos estão ligados diretamente à seleção do material genético das variedades'', sublinha. Segundo o pesquisador, a entidade possui 13 variedades já registradas no Ministério da Agricultura. Dessas, cinco já estão disponíveis ao produtor.
Mesmo com essas tecnologias, Androcioli salienta que a grande evolução ocorrida na cafeicultura paranaense foi a implantação do sistema de café adensado. ''Em 1992 a nossa produtividade era de 7 sacas por hectare. Para este ano é estimado uma índice de 24 sc/ha'', aponta. O pesquisador ainda destaca que uma das vantagens do sistema adensado é que o produtor pode ter ciclos de maturação em épocas diferentes, por meio do plantio de variedades de períodos alternados.
Androcioli explica que quando o produtor planta apenas uma variedade, o café amadurece em uma mesma época. ''Quando ele - agricultor - começa a colher, os frutos estão verdes. Em contrapartida, no final do ciclo muitos já passaram do ponto de maturação'', explica. Para realizar esse tipo de manejo, o Iapar já disponibiliza variedades de ciclos curto, médio e longo. (R.M.)





