Tuberculose bovina é caso de saúde pública
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sexta-feira, 22 de julho de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Sem tratamento, a tuberculose bovina pode se tornar um problema de saúde pública. O caso mais recente da doença ocorreu esta semana na Zona Sul de Londrina. De um rebanho leiteiro com 97 animais, 14 foram diagnosticados com a bactéria Mycobacterium bovis e tiveram de ser abatidos e incinerados.
Preocupado em se adequar à nova legislação referente à produção de leite, o pecuarista, que a pedido da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) não será identificado pela reportagem, contratou um veterinário para realizar os exames rotineiros na propriedade. Livres da aftosa e da brucelose, alguns animais foram reagentes ao teste de tuberculinização, que teve de ser repetido agora em julho. O segundo teste apontou 14 animais doentes, que foram isolados dos demais e levados ao abate, realizado em um frigorífico indicado pela Seab.
Há 43 anos produzindo leite, o pecuarista reclama da falta de apoio do governo em disponibilizar indenizações aos produtores afetados pela doença, como ocorre com a febre aftosa.
Em 72 alqueires, o agropecuarista produz soja, milho, gado de corte e de leite. Toda a produção leiteira é canalizada e resfriada na própria fazenda e distribuida numa cooperativa em Londrina. Quatorze famílias trabalham na propriedade e deixaram de consumir o leite depois dos primeiros diagnósticos feitos em fevereiro.
Na última quinta-feira, o produtor encaminhou um ofício à Secretaria Municipal de Saúde pedindo a realização de exames nos funcionários e seus familiares para constatar uma possível contaminação.
O médico veterinário Dr.Laerte Francisco Filippsen, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que a tuberculose pode ser transmitida pelo contato direto entre os animais e entre o homem e o animal. ''O grande risco para a saúde pública decorre da ingestão de leite cru ou de produtos lácteos oriundos de animais infectados e não submetidos a tratamento térmico'', completa.
Segundo o veterinário, não é preconizado o tratamento para a doença, somente o controle e a erradicação dos animais infectados. ''A prevalência é maior em gados leiteiros devido à proximidade dos animais no confinamento, o que aumenta a probabilidade de infecção'', diz.
A prova de tuberculina, afirma Filippsen, deve ser realizada anualmente. Em casos de suspeita, a prevenção preconiza o afastamento dos animais do rebanho e a não comercialização do leite. Um novo exame deve ser feito num período que varia entre 90 e 120 dias para confirmar a incidência da doença.
De acordo com Filippsen, idosos, crianças e pessoas imunodeprimidas estão mais suscetíveis à contaminação. Nesse caso, a Secretaria de Saúde é comunicada para a realização de exames. ''Os sintomas podem ser mais brandos que os da tuberculose humana, mas mesmo assim requerem cuidados médicos'', alerta o veterinário.
Ele ressalta que no ser humano os exames não permitem a diferenciação entre as bactérias da tuberculose humana e bovina. Essa distinção só é possível pelo isolamento e pela identificação do agente. ''Se o resultado é positivo, a pessoa deve ser encaminhada para cuidados médicos e possível tratamento, evitando assim o avanço da doença e a sua possível transmissão para outras pessoas e animais'', finaliza Filippsen.


