ComparaçãoBezerro tropicana com 165 dias mostra a superioridade do traseiro, comparado com o caracuUma nova raça brasileira com sangue 100% europeu foi desenvolvida pelo pecuarista londrinense José Eduardo Rocha Cabral, com o objetivo de atender às necessidades do cruzamento industrial em regiões de temperaturas elevadas e condições adversas.
O trabalho de melhoramento genético começou há três anos, quando o pecuarista despertou sua atenção para as potencialidades do caracu, que poderiam ser somadas as vantagens de um europeu com grande quantidade de carne no traseiro. Segundo Cabral, a intenção era reunir a capacidade reprodutiva do caracu, em condições adversas, com uma produção de carne que pudesse competir numa pecuária moderna.
O resultado foi o ‘‘tropicana’’ , que será mostrado durante a 38ª Exposição Agropecuária e Indutrial de Londrina. Os interessados em conhecer detalhes da formação da nova raça podem participar da palestra que será feita pelo criador José Eduardo Rocha Cabral, no dia 16, a partir das 14h30 no auditório Fernandes Sobrinho, no Parque Ney Braga.
OrigemO caracu é um animal de origem européia trazido ao Brasil há mais de 300 anos pelos portugueses, e durante todo este tempo foi passando por uma seleção natural até chegar ao que é hoje. Esses animais adquiriram uma resistência muito grande às condições tropicais, e o caracu tornou-se, então, a única raça de origem européia tropicalizada. Os melhores animais caracterizados racialmente apresentam pouca carne no traseiro, com má distribuição de carne em sua carcaça.
Para cruzar com o caracu, o pecuarista escolheu a raça blonde d‘aquitaine, sintética e relativamente jovem, formada no sul da França após a Segunda Guerra Mundial. Suas características principais são grande precocidade e excelentes índices de rendimento e distribuição de carne em sua carcaça.
Inicialmente foi feito o acasalamento entre as duas raças, que tem a mesma origem, em busca de um reprodutor que pudesse transmitir melhor traseiro a seus filhos, com a introdução de até 3/4 de sangue blonde d‘aquitaine em animais puros caracu. Depois, este reprodutor foi acasalado com vaca caracu PO, surgindo uma composição de 5/8 ou 62,5% de sangue caracu com 3/8 ou 37,5% de sangue blonde d‘aquitaine, resultando a raça tropicana, com 100% de sangue europeu.
Atender demandaA nova raça quer atender a grande demanda por touros, que existe hoje na região do Brasil Central. ‘‘Lá a inseminação artificial é de uso limitado, e precisam do touro europeu para promover a heterose e aumentar a rentabilidade’’, diz Cabral.
O pecuarista destaca que a pecuária moderna hoje exige ciclo curto, e o cruzamento industrial de touros europeus em vacada nelore foi a solução encontrada. Os resultados obtidos com a nova raça são animadores, segundo Cabral. Criada a pasto em Itaguajé, região Norte do Estado, e testada nas regiões quentes e agrestes de Coxim, no Mato Grosso do Sul, os animais responderam com uma proporção equilibrada de carne e reduziram para 18 meses o tempo de abate, além de demonstrar também grande desempenho reprodutivo.
‘‘A tropicana pode ser também uma alternativa para viabilizar a atividade pecuária para pequenos e médios produtores’’, completa Cabral, que pretende trabalhar em parceria com criadores para aumentar o número de animais em tempo curto. ‘‘Para os parceiros iremos fornecer orientação genética, suporte técnico, matrizes, sêmen e embriões. Depois, forneceremos suporte mercadológico, efetuando a divulgação da raça através de ações promocionais e leilões’’.
O pecuarista José Eduardo Cabral não tem animais prontos para comercialização e ainda não está divulgando preços, mas adianta que tudo vai depender do mercado, da oferta e procura. ‘‘Não queremos produzir um animal caro, e a expectativa é que fique entre R$1500,00 e R$2.000,00’’, finaliza.

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