A afirmação foi feita na última quarta-feira pelo secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Antônio Leonel Poloni, que veio a Londrina participar do Seminário do Café, realizado na sede da Sociedade Rural do Paraná. Promovido pelo Grupo Café de Londrina, governo estadual (através da Emater e Iapar), Ministério da Agricultura, Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, Embrapa e Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, o seminário premiou os melhores produtores de café do Estado.
A vencedora na categoria café natural foi Gabriela Ranke, de Rolândia, Norte do Paraná. Ela recebeu um cheque no valor de R$10 mil. Na propriedade de 48 alqueires, Gabriela possui 75 mil pés de café. Segundo a agricultora, o prêmio de qualidade deve-se à colheita mecanizada, à lavagem e secagem do produto em terreiro apropriado. Gabriela ressaltou também o preparo na cooperativa. A geada deste ano, que afetou cerca de 25 mil pés de café, não desestimulou a produtora. Há 40 anos na cafeicultura, Gabriela comentou que o governo estadual não tem incentivado a produção. ‘‘Talvez o prêmio possa ajudar no incentivo’’, analisou.
Dentro da categoria de café cereja descascado, o vencedor foi Norival Fávaro, de Carlópolis, no Norte Pioneiro. Fávaro foi contemplado com uma viagem à Costa Rica, país da América Central, para visitar as plantações de café locais. Foram selecionados 194 produtores em todo o Paraná. O concurso, segundo o secretário Poloni, foi instituído ‘‘para injetar ânimo an cafeicultor’’. As constantes geadas que têm atingido os cafezais podem ser amenizadas, se os agricultores optarem pela diversificação. A monocultura, segundo Poloni, ‘‘deixa o agricultor em dificuldades em caso de problemas climáticos’’.
Os números ainda não estão concluídos, mas a avaliação parcial é de que o Paraná teve uma perda de R$300 milhões. Ainda de acordo com Poloni, o governo federal está liberando R$42 milhões, que poderão ser pagos em quatro anos. Neste tempo, os cafezais já deverão estar produzindo novamente. ‘‘O governo estadual aprovou R$4 milhões, para capitalizar o agricultor, além do programa Paraná 12 Meses, que está disponível, dependendo somente dos projetos apresentados pelos municípios’’. Para o secretário, o Paraná tem competência no setor.‘‘Vim a Londrina, dizer isso’’, afirmou Poloni.
A tecnologia adequada, que garante a qualidade, deve estar aliada ao marketing. O técnico Carlos Henrique Jorge Brando, diretor do programa Cafés do Brasil, Marketing e Certificação, deu palestra durante o seminário e ressaltou a importância da tecnologia e propaganda, responsáveis por reafirmar o potencial do café brasileiro no mercado interno e internacional. ‘‘Um país e muitos sabores’’ – o lema da campanha criada pelo programa, foi desenvolvido há um ano, com ‘‘sucesso absoluto’’. O passo inicial da campanha, que está sendo difundida em países da União Européia, Estados Unidos e Extremo Oriente, foi revitalizar a logomarca que é impressa nas sacas.
ReeducaçãoManuais, materiais promocionais, folhetos impressos em várias línguas, palestras e participação em eventos nacionais e internacionais têm impulsionado o nome do café brasileiro. De acordo com Brando, já foram servidas em feiras e exposições internacionais cerca de 100 mil xícaras do ‘‘cafezinho’’ nacional. As embaixadas do Brasil no Exterior estão recebendo um produto de qualidade, garantindo o cartão de visitas. Nos Jogos Olímpicos de Sydney, na Autrália, o café do Brasil patrocinou atletas, na estratégia de relacionar café e saúde.
Reeducar o consumidor, trabalhando a idéia desde a infância faz parte do marketing desenvolvido pelo programa Cafés do Brasil. Como parte do projeto Dica Feliz, Brando visitou várias escolas brasileiras. Conforme informações do técnico, nas escolas das classes média baixa, cerca de 90% das crianças consomem café diariamente. Nas escolas particulares isso não é frequente. ‘‘Apenas 20% das crianças responderam que tomam café eventualmente. Algumas disseram que jamais provaram’’, afirmou Brando. O objetivo do marketing é disseminar a idéia de que o café pode ser consumido, sem prejuízo para a saúde. Cerca de 500 mil crianças criaram desenhos referentes à cafeicultura e suas vantagens.
De olho no mercado internacional, o ministro da Agricultura e Abastecimento, Pratini de Morais, juntamente com técnicos especializados, visitou a China, um mercado considerado ‘‘emergente’’. Brando ressaltou a relevância da participação do Paraná na revitalização da cafeicultura, principamente depois da geada. ‘‘Estimulando a produção, como no caso deste concurso, é um caminho’’, disse.
Francisco Barbosa Lima, do Departamento do Café, ligado ao Ministério da Agricultura, acredita que o objetivo do seminário foi atingido. Segundo ele, os cafeicultores paranaenses conheceram um pouco mais a respeito do assunto. Difundir a tecnologia, definir a origem, tipos e características do café, demonstram a viabilidade da cafeicultura no Estado.
Agricultores de Abatiá, que estiveram presentes no encontro, protestaram contra a falta de estímulo do governo estadual. Algumas faixas foram colocadas no salão, exigindo apoio do governodor Jaime Lerner para a cafeicultura.

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