A pesquisa da Unesp tem dados comparativos da vacinação de animais em bretes ou corredores (considerado um trato convencional) comparados com o mesmo trabalho feito em tronco de contenção (num manejo mais racional). Segundo Marcos Chiquitelli, num lote de mil animais, a vacinação pelo manejo convencional teve índice de perda de 12,5%, fora casos de sangramento no local de aplicação ou refluxo do medicamento. No manejo realizado no tronco, com o animal imobilizado, o índice de perdas ficou em 3,5%. Ele explica que o melhor aproveitamento do manejo em tronco de contenção não se deve somente ao equipamento em si, mas a uma série de atitudes que se tem com o rebanho, de melhor trato, que responde melhor aos comandos dos tratadores.
Um animal vacinado em brete coletivo, por exemplo, fica mais agitado, pode subir sobre os outros, machucar-se, cair e não levantar, levando a prejuízos não só a sua própria saúde, mas também a qualidade da carne que no abate é descartada pela presença de hematomas. O trabalho derrubou a tese de que manejar o rebanho até o tronco é mais complicado, demora mais. A ação, explicam Chiquitelli e Santos, se mostrou mais dinâmica porque os animais já estavam acostumados ao manejo. Numa sequência que os pesquisadores chamaram de cadenciada foram gastos 9,3 segundos para vacinar cada boi, enquanto que no brete este tempo seria de 10,2 segundos.
A comparação entre os dois tipos de manejo também foi realizada no sistema de confinamento. Animais de trato convencional, pesados na entrada e 90 dias depois, na saída do confinamento, apresentaram 17% de desclassificação por hematomas graves nas carcaças. Os machucados, provalmente, foram causados nas pesagens inicial e final e também no transporte dos animais que pouco manejados não se habituam a tanta movimentação e se mostram agitados.
No manejo racional, com a realização de uma pesagem mensal, outro lote de animais confinados, mesmo com maior movimentação, não apresentou diferença no ganho de peso e teve menor índice de desclassificação de carcaças por hematomas. Esses animais apresentaram 9% de carcaças desclassificadas; 7% apresentaram ausência de hematomas. Chiquitelli explica que a movimentação mensal colaborou para que se tornassem menos agitados.
Segundo o zootecnista, o importante é que todo manejo seja feito numa frequência confortável para o animal, sem impor violência, de acordo com a necessidade do sistema de produção da propriedade. ''Os animais têm uma tendência a se habituarem a certos procedimentos que, depois de um tempo, ficam até condicionados a eles. Não existem animais ruins, tudo depende do manejo.''
Serviço: Os pesquisadores da Unesp vão apresentar os dados do trabalho sobre novos conceitos de manejo de animais nos dias 30 e 31 deste mês, em Uberaba (MG), na Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). O objetivo é reunir pessoas que trabalham no gerenciamento de propriedades e pecuaristas. Outras informações sobre o evento no telefone (16) 623-6659.

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