A possibilidade das tecnologias geradas pela pesquisa chegarem mais rapidamente ao seu destino anima produtores do sul do país. A Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar do Sul (Fetraf-Sul), que representa 300 mil famílias, está iniciando um processo de parceria com a Embrapa para a disponibilizar as tecnologias aos agricultores. A Fetraf-Sul foi uma das entidades que participaram de uma reunião preliminar sobre a ATT, em Pato Branco (sudoeste do Paraná).
  O primeiro contato, segundo o cordenador da Fetraf-Sul, Altemir Antônio Tortelli, serviu para que os futuros parceiros tomassem conhecimento das inúmeras possibilidades que o projeto proporciona aos agricultores familiares.‘‘A Embrapa produz ciência e conhecimento. Tecnologias geradas em várias unidades da empresa no país podem nos beneficiar’’, afirma.
  No encontro foram elencadas as cinco prioridades para os associados da Fetraf-Sul. A semente foi a primeira delas, necessária para o sucesso nas culturas de milho, soja e trigo, a que se dedicam os agricultores. Além disso, é fundamental a viabilização das pastagens e plantio da mandioca. Produção e beneficiamento do leite é outra demanda identificada no seminário. ‘‘O produtor precisa ter acesso à tecnologia de armazenamento e a pequenas industrializações para agregar renda’’, diz.
  A fruticultura é tida como alternativa de diversificação da propriedade. Uva, laranja, bergamota, figo estão entre as possibilidades para a região. O coordenador da Fetraf-Sul afirma que a produção de laranja está se deslocando de São Paulo para o sul. O consórcio entre a erva mate e outras culturas como bracatinga e eucalipto é outra opção para a agricultura familiar vai possibilitar, segundo Tortelli, o equilíbrio da propriedade com a preservação de matas ciliares e reservas legais e a geração de renda.
  A agroecologia, como destaca Tortelli, vai ao encontro dos interesses do agricultor e da sociedade. ‘‘Hoje a população exige segurança e conhecimento do que está consumindo, procura alimentos produzidos sem veneno, não quer transgênicos’’, argumenta. Essa tendência é um mercado promissor, que pode ser atingido a partir da base tecnológica disponível.
  A iniciativa da agenda de transferência de tecnologia pode preencher a lacuna deixada pela assistência técnica pública. Tortelli faz severas críticas ao setor, que, segundo ele, sofreu um desmonte nos governos neoliberais durante 20 anos. ‘‘É preciso investir maciçamente na assistência técnica pública para qualificar o produtor a obter a sustentabilidade na sua atividade. Do contrário será mera peça de uma engrenagem para servir aos interesses de grandes empresas’’, diz. O coordenador da Fetraf-Sul diz que o agricultor deve ser estimulado a questionar e opinar sobre os rumos de sua atividade. ‘‘Ele deve intervir em toda a cadeia produtiva da agricultura’’, sustenta.
  Criada em 2001, a Fetraf-Sul congrega 228 municípios, divididos em 22 microrregiões, representando 93 sindicatos de trabalhadores rurais e trabalhadores em agricultura familiar nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. (R.C.)

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