Há 30 anos cultivando trigo em Londrina, a família Zampar vivencia um dos períodos que define como de maior decadência do cereal. Nesta safra, João Paulo Zampar planta trigo em uma área de 45 hectares e espera uma produtividade de aproximadamente 3.500 kg/ha, graças ao clima que tem contribuído para o desempenho da lavoura. Mas há três anos, a área ocupada pelo cereal na propriedade era de 133 hectares, uma redução de 66%. A maior parte da área está agora tomada pelo milho de segunda safra, cuja rentabilidade é bem mais alta. ''Quem cultiva trigo planta por tradição, porque insiste e acredita que o ano será melhor'', justifica.
O caso de Zampar representa a realidade da triticultura no Paraná, que este ano sofreu redução de 28% na área cultivada, passando de 1,06 milhão de hectares na safra 2010/11 para 768,4 mil hectares na safra 2011/12, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Com isso, a produção paranaense de trigo deve ser de 2,22 milhões de toneladas, volume 9% menor do que os 2,44 milhões colhidos na safra passada. As causas dessa redução já são velhas conhecidas da cadeia produtiva do trigo: preços baixos e dificuldade de comercialização impulsionada pelo grande volume importado principalmente da Argentina. Mas este ano, outro fator contribuiu para a substituição do trigo nos campos paranaenses: o bom momento vivenciado pelo milho, com valorização de preços e alta liquidez.

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