Triticultores sofrem sem política agrícola
No Brasil, há relatos de que o cultivo do trigo tenha se iniciado em 1534, na antiga Capitania de São Vicente. A partir de 1940, a cultura se expandiu comercialmente no Rio Grande do Sul. Nessa época, colonos do Sul do Paraná plantavam sementes trazidas da Europa em solos relativamente pobres, onde as cultivares de porte alto, tolerantes ao alumínio tóxico, apresentavam melhor adaptação.
Na década de 1970, o trigo expandiu-se para áreas de solos mais férteis, no Norte e Oeste do Paraná e, em 1979, o Estado assumiu a liderança na produção do grão. Tal expansão ocorreu numa época em que também se destinavam maiores recursos para a pesquisa agrícola no Brasil. Como resultado, observou-se um aumento simultâneo da área e da produtividade do trigo no País. Enquanto a produtividade média no período de 1970 a 1984 foi de 1.139 kg/ha, entre 1995 e 2003, ela se manteve acima dos 1.500 kg/ha.
Ironicamente, o aumento do potencial produtivo e a diminuição dos riscos de perdas, proporcionados pelas cultivares melhor adaptadas e pelo controle de doenças e pragas, via manejo da cultura e utilização de fungicidas eficientes, não têm sido suficientes para sustentar o aumento da produção brasileira de trigo. Nos últimos anos, tem-se observado um contínuo declínio da área cultivada, devido, principalmente, aos maiores custos de produção, quando comparados aos da Argentina.
''Sabe-se que a Argentina, devido às privilegiadas condições de solo e clima, consegue produzir trigo com custos extremamente baixos. Amparada pelos acordos do Mercosul, consegue exportar o cereal a preços inferiores aos custos de produção do trigo brasileiro'', analisa o pesquisador Sérgio Roberto Dotto
Para ele, o Brasil está carente de uma política agrícola para o trigo. ''O trigo nunca teve força no governo. Problemas com transporte e o clima instável também limitam o cultivo do grão no País. Infelizmente, a pesquisa só pode influenciar com dados, mas não tem poder de decisão'', completa.
Olhar a propriedade como um sistema dinâmico de produção é o que sugere o pesquisador Dionisio Brunetta para redução nos custos de produção. ''Manter a terra sempre ocupada, rotacionar culturas para melhorar a fertilidade do solo e manter a sanidade da área é fundamental para o aumento da produtividade''. (M.G.)





