"Uma safra para esquecer." Quando o produtor da região de Cambé Onivaldo Dante relembra da colheita da safra de inverno 2012/13, esse é o primeiro pensamento que vem à sua cabeça. Também pudera: na propriedade de 600 hectares, ele apostou no trigo em metade da área e perdeu toda a produção. Nos outros 50%, o milho safrinha fechou com produtividade de 91 sacas por hectare (sc/ha).
Para esta safra, a expectativa é mais otimista. A possibilidade de não enfrentar geadas – como ocorreu em duas noites do ano passado – faz com que Dante projete uma colheita de 62 sc/ha para o trigo e 104 sc/ha no caso do milho. "O prejuízo do ano passado poderia ter sido maior, pois foi há pouco tempo que decidi dar espaço para duas culturas, já que antes plantava apenas o trigo, o que era bem mais arriscado", salienta.
Quando tenta buscar na memória situações similares a essa em toda a sua vida de produtor, Dante não consegue relembrar uma geada que castigou tanto a sua lavoura nos últimos anos. "Sem dúvida, nos últimos anos, essa (geada) foi a pior, pois pegou o trigo numa fase delicada, de desenvolvimento. Espero que consiga me recuperar esse ano e tenhamos um clima mais ameno e menos prejudicial", relata.
No caso dos preços, ele explica que no ano passado - devido à falta de produto no mercado - os valores do trigo estavam melhores, acima da casa dos R$ 50 a saca. Porém, em contrapartida, ele não possuía produto para comercializar. "Agora, a saca está entre R$ 42 e R$ 43, o que não é ruim se eu atingir a produtividade que estou imaginando. Por outro lado, a saca do milho está na casa dos R$ 20, bem abaixo dos R$ 25 que seria o ideal. No geral, não acho que o mercado está ruim."
E se o inverno sempre é preocupante, Dante relata ainda que "nem no verão o produtor tem mais tranquilidade". Na colheita da primeira safra de soja deste ano ele esperava colher 66 sc/ha, mas acabou colhendo 53 sc/ha devido à estiagem que assolou algumas áreas do Estado entre janeiro e fevereiro, uma quebra de aproximadamente 20%. (V.L.)

mockup