Triticale: mais uma opção de inverno
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Originado a partir do cruzamento do trigo com o centeio, o triticale vem despontando como mais uma opção rentável de cultura de inverno, especialmente nas regiões onde o milho safrinha não se desenvolve. A planta, segundo o pesquisador Carlos Roberto Riede, do programa de cereais de inverno do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), veio do México e aparece como o primeiro cereal constituído pelo homem.
''O triticale traz produtividade e qualidade herdadas do trigo, com a rusticidade do centeio'', explica Riede. Isso faz com que ele se adapte melhor em solos fracos, ácidos ou arenosos. Com um bom desenvolvimento do sistema radicular, a planta é mais resistente a períodos secos, além de suportar melhor o ataque de doenças como ferrugem, oídio e manchas foliares. Com isso, a necessidade de aplicações de defensivos é bem menor que a do trigo. ''Dependendo das condições climáticas, basta apenas uma aplicação de fungicida para evitar o ataque de doenças'', diz.
Outra vantagem do triticale é a dureza do colmo, o que o torna menos suscetível ao acamamento. Na lista de vantagens ele lidera também no tamanho da espiga e, consequentemente, na quantidade de grãos e na produtividade. ''O potencial de produção é de até cinco mil quilos por hectare'', garante Riede. Na somatória final, essas características fazem com que o cereal tenha um custo de produção mais baixo que o trigo, ''cerca de 30 a 50% menor'', calcula o pesquisador.
Vantagens como esta foram importantes na decisão do produtor Minoro Takahashi, de Mauá da Serra que, ''por segurança'', optou pela cultura nos 200 alqueires da propriedade. ''No ano passado também plantei só o triticale, e tive uma produtividade média de 180 sacas por alqueire. Este ano, apesar da estiagem, espero manter esses números'', diz.
Adepto ao sistema de plantio direto, Takashi destaca ainda que o processo de decomposição da palhada é lento, trazendo mais benefícios na proteção do solo para o cultivo subsequente, a soja.
O pesquisador Carlos Riede, entretanto, destaca um ''defeito'' no triticale. Em períodos chuvosos, durante a maturação, ele fica suscetível à germinação da espiga. ''Esse melhoramento é o nosso atual alvo de pesquisa. Já estamos realizando testes, mas o resultados ainda não têm data'', confessa.
O grão apresentava também dificuldades de debulha, exigindo que a colheita ocorresse quando a umidade estivesse baixa. ''Esse problema foi superado'', destaca o pesquisador. A variedade IPR 111, lançada pelo Iapar em 2003, além de ser mais precoce, pode ser trilhada com maior teor de umidade. Outra vantagem da cultivar observada pelo produtor Minoro Takahashi, é a uniformidade no espigamento.
No País, a pesquisa com o triticale teve início em 1969. Em 1987, o Iapar lançou sua primeira variedade, o Arapoti (Iapar 23), cuja adaptação ainda hoje se destaca nas regiões subtropicais. Há também opções produzidas pela Embrapa Trigo, de Passo Fundo (RS) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).


