Jota Oliveira
De Londrina
A observação é do vice-presidente da Mylenia Agrociências S.A., José Antônio Fontes. Ele recorda que a grande maioria dos agricultores usava baixa tecnologia, em pequenas priopriedades: ‘‘Éramos importadores até de feijão. Hoje muitos usam altissima tecnologia, como de pivô central e outras. O Brasil e o Paraná têm uma capacidade extraordinária de diversificação’’.
Ele acrescenta que agora o País exporta frutas, tem uma das maiores produtividades de soja do mundo, é o segundo exportador de frango e consome mais milho do que produz. ‘‘Foi um período pródigo em demonstrar capacidade agrícola e pesquisa. Agregamos valor à produção, apesar da falta de uma política agrícola e de nunca ter sido dado o valor devido à agricultura.’’
Pesquisa, barreiras e desenvolvimentoMesmo nessas condições, passou-se a desenvolver ‘‘uma pesquisa global de alta capacidade’’. ‘‘Praticamente só éramos produtores de café e cana-de-açúcar. Hoje temos todos os cultivos. Criou-se uma plataforma para transformar o Brasil, daqui a uns 10 anos, em fornecedor de produtos industrializados’’, diz Fontes.
O País já exporta frutas com alta qualidade, apesar das barreiras, subsídios, barreiras não tarifárias, ecológicas e até outras que não têm o menor sentido, como proibição da entrada de produtos brasileiros em alguns países devido a agroquímicos que não existem no Brasil, enumera o vice-presidente da Mylenia.
Ele aponta desenvolvimento da agricultura em todo o Brasil, desde a uva, que antes só era produzida no Rio Grande do Sul, até o guaraná da Amazônia. ‘‘Hoje – afirma – temos um vinho tinto de boa qualidade, comparável ao produto similar de países sul-americanos tradicionais produtores de vinho, como Chile. Nosso vinho branco também é de qualidade. Houve igualmente desenvolvimento grande no leite e derivados, em sanidade, genética, mas não houve agregação de valores e a produção de queijos foi além da capacidade de compra do consumidor brasileiro. Se não tivesse decaído tanto, nosso consumo maior teria dado condições de melhor qualidade ao nosso queijo’’.
Observa ainda Fontes que evoluiu também a genética aplicada à pecuária: ‘‘Há 30 anos aqui só havia praticamente o nelore, até o Rio Grande do Sul ser pioneiro na introdução de animais de origem européia. Agora o Brasil tem as principais raças bovinas do mundo, com a qualidade da carne dos animais europeus’’.
Ele acrescenta que foram desenvolvidos agroquímicos com maior eficácia agronômica (o que significa maior economia), menos agressivos ao ambiente e ao homem: ‘‘Com tudo isso o cultivo melhorou, surgiu o controle integrado de pragas e doenças.’’
Expectativa de vidaA tecnologia voltada à produção de alimentos será muito exigida no próximo século, até porque a idade média da população está aumentando. No Brasil, por exemplo, segundo o IBGE (pesquisa feita em novembro/99) os idosos terão, no início do Século 21, uma expectativa de mais 17,6 anos em média.
Em 1950 o brasileiro, quando nascia, poderia ter pela frente, em média, 43,3 anos; em 1980 a expecativa de vida subiu para 60,1 anos, em 1998 passou a 68,1 anos. Hoje, uma pessoa com 40 anos de idade pode ter a esperança de viver mais 33,6 anos, enquanto uma de 60 anos ou mais, ainda deverá viver, em média, mais 17,6 anos.
Causas do aumento da vida média do brasileiro: declínio dos óbitos relacionados às doenças que mais incidem sobre a população infantil e aumento das doenças típicas da população idosa.‘‘Foi um período pródigo. Há trinta anos só se falava em café e cana-de-açúcar...Hoje o Brasil produz e exporta de tudo’’
ArquivoO café era a base da economia paranaense. Ainda continua, em áreas pequenas e produtivasFontes destaca que o País é hoje um grande produtor de frutas e com boa tecnologia

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