PrejuízoMilharal prejudicado pela seca, na região de Londrina: as sementes não germinaram, ou as plantas cresceram sem uniformidadeA área de milho-safrinha tem aumentado no lugar do plantio de trigo e, apesar de uma quebra de 50% na produção do ano passado, nesta região, continuou crescendo. Mas, nesta safra, ocorre um fenômeno contrário: lavradores já começaram a erradicar os milharais improdutivos e a tendência é aumentar a substituição, quando chover.
Nos 19 municípios atendidos pelo Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) sediado em Londrina, foram plantados 70 mil hectares de milho na safrinha. O engenheiro agrônomo Jeferson Ricci, chefe do Departamento Técnico da Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop), informa que nos oito municípios onde a empresa atua, a safrinha ocupa 35 mil hectares. Ele prevê que a continuidade da seca diminuirá a área de milho e aumentará a área prevista (40 mil ha) de trigo.
Segunda estiagemSemeado a partir de fevereiro, o milho enfrenta uma segunda estiagem, diz Ricci, ‘‘com maior severidade em Londrina, Ibiporã e Assa풒. Uma parte do milho já foi erradicada pelos agricultores, para a semeadura do trigo, e ‘‘existe a possibilidade desta substituição aumentar, pois as perdas se acumulam diariamente’’.
Na próxima chuva, explica Ricci, o agricultor avaliará sua cultura de milho ‘‘e, conforme as perspectivas, erradicará para plantar trigo’’, porque nesta região o trigo pode ser semeado até 31 de maio, embora o ‘‘período ótimo’’ termine hoje, 10. ‘‘Se persistir a estiagem, o plantio será desviado da melhor época’’, comenta o chefe técnico da Valcoop.
Marcos BorgesA seca favorece a proliferação das lagartas que atacam os pés de milho
Não há nesta safra um município onde a concentração do trigo deva ser especialmente forte. Em safras passadas a maior área tritícola era em Sertanópolis, onde hoje se acha o maior plantio (20 mil ha) de milho-safrinha, na região da Valcoop.
Por força da natureza, o trigo pode ter uma pequena recuperação de área em relação ao espaço perdido para a safrinha, que vem sofrendo forte ataque de pragas (principalmente a lagarta-do-cartucho), além de ter germinado com falhas (algumas plantas germinaram, outras não, e as que germinaram tiveram desenvolvimento desigual, o que se observa na maioria das lavouras não irrigadas.
Sem previsãoComo a semeadura do milho-safrinha começou em fevereiro, ele já se acha todo plantado. Do trigo, a Seab estima o plantio em torno de 30% da área prevista (68 mil ha).
Na região da Valcoop acham-se os municípios de São Jerônimo da Serra, Santa Cecília do Pavão, Nova Santa Bárbara, Assaí, Ibiporã, Sertanópolis e Londrina. Jeferson Ricci calcula que nesta área 50% do previsto estejam semeados, e de 20 a 30% emergidos. O restante espera chuva, que pode chegar tarde. A cooperativa está recomendando o tratamento de sementes, principalmente, devido ao atraso no plantio.
No começo da semana não havia previsão de chuva para o Estado do Paraná, pelo menos até hoje, sábado e a situação estava se agravando a cada dia, conforme análise do engenheiro agrônomo Agenor Santa Rita, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Além do milho-safrinha, cultura de risco que não tem cobertura do Proagro em caso de frustração por qualquer motivo, devido à falta de amparo técnico, os lavradores que preferem as culturas típicas do inverno (trigo, aveia, triticale, cevada), esperam chuva, para começar ou continuar o plantio. Santa Rita destaca, no entanto, como mais crítica a situação do milho, que vem se desenvolvendo mal e sob ataque de pragas favorecidas pela seca.
‘‘Quem plantou milho-safrinha corre o risco de perder, porque não existe seguro para esta lavoura. O agricultor planta no risco’’, comenta o agrônomo do Deral. Ele acrescenta que quem já plantou trigo, está também correndo grande risco das plantas não formarem grãos, devido à estiagem. (N.R.:O Proagro não cobre perdas por falta de chuva, mesmo nos produtos de inverno). ‘‘Vão colher um trigo seco, sem massa verde’’, diz o agrônomo do Deral.
Outra situação especialmente grave é a das pastagens, que já não oferecem massa verde para o gado (ver matéria nesta edição). E, também pela falta de chuva, não se pode plantar as pastagens de inverno que já deveriam estar plantadas.
Milho perdido, trigo esperandoO agrônomo Jeferson Ricci lembra que até a semana passada era estimada uma perda, nos oito municípios onde a Valcoop atua, de 100 mil sacas de milho-safrinha, devido à seca. A produção antes prevista era de 1 milhão 200 mil sacas. No Estado a perda era de 35%. ‘‘Apenas’’ aquelas 100 mil sacas significam um prejuízo de R$ 6,7 milhões (a R$ 6,7 a saca na última quarta-feira).
Grande parte do trigo está para ser plantado. A seca impede a continuação do plantio. Quando chover o agricultor pode não ter mais opção para semear. Santa Rita, do Deral, questiona: ‘‘Se o inverno for seco, o que o produtor vai fazer? Ele se arrisca a perder tudo...’’

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