Trigo ganha espaço do milho safrinha
Ao contrário do que aconteceu na safra passada, o milho safrinha chega num ritmo mais lento aos campos em 2014. A área já está 100% plantada (com 92% de condição boa) e a justificativa para a sua retração - incluindo da produção - está nos preços menos atrativos para o produtor quando comparados com o ano passado. Junto a isto está o crescimento na área de trigo, que teve elevação de 23%.
De acordo com o levantamento do Deral, a área do milho segunda safra caiu de 2,15 milhões de hectares no ciclo 2012/13 para 1,90 milhão este ano, uma retração de 11%. "Não podemos esquecer que na safra passada tivemos um recorde histórico em relação a área preparada para a commodity. Os preços estavam ótimos para o produtor devido à baixa oferta no mercado internacional. Agora, passamos por uma retração nos valores", explica a engenheira agrônoma do Deral especializada na cultura, Juliana Yagushi.
Em relação à produção, a queda é bem menos significativa. Se na safra 2012/13 a produção foi de 10,1 milhões de toneladas, em 2013/14 a expectativa é que se atinja um montante total de 9,94 milhões de toneladas, redução de apenas 1,5%. "A redução da produção poderia ser maior, mas na safra passado o produtor acabou sofrendo com questões climáticas, como chuvas intensas no Oeste do Estado e uma geada tardia, que atrapalhou o potencial produtivo na área recorde plantada."
Já para a produtividade, a expectativa é de aumento de 10%: salto de 4.678 kg/ha para 5.225 kg/ha. "Não podemos esquecer que o milho é uma cultura de clima quente que foi adaptada para o outono/inverno. Atingir uma produtividade acima de 5 mil quilos por hectare nesta época é fantástico, mas o clima é sempre um risco que pode prejudicar a cultura, como ocorreu no ano passado. Sempre lembrando que neste momento estamos trabalhando com dados estimados e não como está a lavoura de fato", destaca Juliana.
A área de trigo com 13% do plantio realizado até agora deve saltar de 991,9 mil hectares para 1,27 milhão de hectares. O salto da produção será de 1,84 milhão de toneladas para 3,8 milhões de toneladas, um crescimento substancial de 101%. Enquanto o preço da saca de 60 quilos da commodity fechou em R$ 41,70 em março, a saca do milho fechou em R$ 23,29. (V.L.)





