A colheita do trigo entra na fase final na maioria dos municípios do Norte do Paraná, beneficiada pelo clima seco nas últimas três semanas. No Oeste e Noroeste as condições são praticamente as mesmas e no Sul - campos gerais e região de Guarapuava - a maior parte da área ainda não entrou na fase de maturação.
Na lavoura de Nelson Pieroli, patrimônio Regina, município de Londrina, a produtividade (entre 120 e 125 sacas por alqueire) e o alta qualidade (PH acima de 80) indicam que tudo correu bem para o trigo, este ano.
Pieroli colheu na semana passada e o peso hectolítrico (PH) acima do padrão referência (PH 79) garante um preço melhor, acima de R$ 27,00 a saca de 60 km.
Este não é o único fator positivo. Os grãos uniformes e de bom aspecto animam o produtor, que dividiu a safra de inverno entre milho e trigo. Ele prefere trabalhar com milho, mas para deixar o mesmo lucro que o trigo, o milho vai Ter que produzir acima de 150 sacas por alqueire, e Pierole não está convencido disso. ''Só esperando a colheita para ver'', diz.
A colheita vai acontecer na próxima semana porque o milho já está seco. O preço, contudo, não ajuda. Na melhor das hipóteses, os agricultores brasileiros que estão colhendo milho agora vão vender por R$ 16,00
Mas não compensa esperar preço melhor, aconselham os analistas de mercado. O trigo de Pieroli teve um custo de produção equivalente 80 sacas por alqueire. Sobra 45 sacas livre, calcula o sitiante - ligeiro nas somas dos componentes de custo: chegou a pagar R$ 80,00 numa saca de semente (50 kg). Em compensação, economizou bem nos defensivos. Fez uma única aplicação de fungicida contra helmintospórium. A variedade utilizada, IPR 85, do Iapar, tem alto nível de qualidade industrail e é tolerante (quase resistente) especialmente à doenças fúngicas, principal problema do trigo no Paraná.
O técnico Eduardo Faustino, da Corol, confirma a boa sanidade da planta. Além do fator sanidade, a variedade apresenta grãos uniformes e um aspecto excelente, como todos os trigais do Paraná, este ano.
O Paraná deve produzir 2,7 milhões de toneladas de trigo, cerca de 60% da produção brasileira (4,5 milhões de t). É a maior colheita nos últimos 8 anos.
Com a colheita do trigo e, na próxima semana, o milho, o produtor Nelson Pieroli, como todos os produtores paranaenses, despede-se da safra de inverno e limpa a área para a safra de verão, representada pela soja e milho. Para ele, o mercado está claro: não vai acenar com as mesmas chances de bons preços que o ano passado, mas vai garantir boa margem de lucro. ''Tudo vai depender dos custos. Temos que reduzir os custos de produção'', diz o produtor. As condições de mercado e da economia estão sugerindo cautela nos investimentos e no custeio.

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