Trigo acena com renda para produtor do Paraná
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sexta-feira, 13 de junho de 2003
Reportagem Local 
Com o dólar na faixa de R$ 3.00,00/US$ 1,00, o trigo importado da Argentina por 170 dólares/tonelada Fob Bahia Blanca, vai chegar ao Brasil a R$ 580,00/t mais o frete, alcançando R$ 600,00/t. O preço do trigo brasileiro está em torno de R$ 560,00, o que mostra que o mercado será favorável ao produto nacional.
Produtividade em torno de 85 sacas por alqueire (2.100/2.200 kg/ha) deixa boa margem de renda, nas condições de comercialização acima, segundo o analista de mercado da Agência Rural de Notícias, de Curitiba, Benedito de Oliveira.
O plantio de trigo nas regiões Norte, Oeste e parte das regiões Sudoeste e Central está quase concluído. Continua o plantio na região Sul, cuja época indicada vai até 20 de julho, segundo Otmar Hubner, do Deral/Seab. As condições favorecem o bom desenvolvimento da cultura. Pesquisadores da Embrapa Soja e do Iapar constataram a presença de doenças fúngicas, mas são de fácil controle.
O Paraná planta 1,2 milhão de hectares e, se tudo correr bem, pode colher 2,3 milhões de toneladas, considerando uma produtividade média de 2,3 mil kg/hactare, um número factível para a tecnologia que tem sido utilizada. A produção nacional deve chegar a 4,5 milhões de toneladas, para um consumo de 10,5 milhões de toneladas. Individualmente há propriedades que colhem três vezes mais que a média.
No momento, os moinhos estão comprando trigo no Rio Grande do Sul por R$ 460,00, com peso hectolítrico (PH) de 73/74. Em Santa Catarina os produtores estão pedindo R$ 560,00 mas está difícil negociar. O trigo de Santa Catarina é muito bom, tem PH 78, enquanto o RS teve problema de chuvas.
O produtor paranaense está pedindo R$ 560,00 a R$ 570,00 para o trigo PH 78. O trigo do Norte do Paraná é o melhor que tem no Brasil - só que tem pouco. Trigo com PH 78 ou melhor é matéria-prima para panificação. É um grão comparável ao argentino.
Já o PH 73 é mais fraco e as indústrias utilizam a matéria-prima na mistura com o trigo argentino, que é muito forte, ou então, nas indústrias de bolacha e macarrão, que utilizam massa que precisa de crescimento, explica Benedito de Oliveira.
O custo de produção, com o dólar a US$ 2,80 está entre R$ 22,00 e R$ 23,00/saca. O agricultor deve conseguir vender a R$ 25,00/saca R$ 420/tonelada (preço mínimo de garantia é de R$ 24,00/saca).
Pressão baixista - Cerealistas e produtores temem, no entanto, que o mercado ceda à pressão da oferta e que os moinhos não entrem comprando logo após a colheita, como seria o ideal. Acham que os moinhos darão preferência para o trigo importado pelas facilidades de pagamento: juros baixos, com taxas internacionais, seis meses para pagamento. Neste caso, o trigo nacional vai depender do preço mínimo do governo, R$ 400,00/t.


