Trigo 2004, a safra do otimismo
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sábado, 07 de fevereiro de 2004
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Pesquisadores e técnicos estão otimistas quanto a safra de trigo deste ano. Reunidos no 5º Seminário Técnico de Trigo esta semana em Londrina, o tom foi de boas perspectivas para a cultura.
O analista de mercado de trigo Márcio Augusto da Silva Júnior, representante da Conab no seminário, disse que o mercado está sinalizando uma reação na tonelada do grão já para a segunda quinzena de fevereiro.
Segundo ele, essa reação já deu sinais na semana, quando cooperativas do Paraná conseguiram negociar a tonelada a R$ 450, enquanto que em semanas anteriores o preço ficou entre R$ 410 e R$ 420 a tonelada, bem próximo do mínimo estipulado pelo governo R$ 400 para o Paraná e R$ 450 para o Centro-Oeste).
Na opinão do analista, daqui para frente os moinhos instalados no País devem ter uma nova visão para o produto brasileiro. Os estoques mundiais estão acabando e a demanda faz com que os preços internacionais iniciem a temporada de alta. ''Essa alta só não é mais expressiva porque, com execeção da Argentina, que teve problemas de produção, países como Estados Unidos, Canadá e Austrália tiveram boas safras, o que tem sustentado a cotação internacional.''
Países como a China, por exemplo, com crescimento na demanda pelo trigo, devem provocar alta nos preços internacionais do produto. Com isso, o trigo brasileiro deverá ser um atrativo para as indústrias que no ano passado, mesmo com uma previsão de supersafra, preferiram comprar trigo argentino, fazendo cair o preço no mercado interno e dificultando a comercialização.
Este ano, segundo o analista da Conab, o mercado deverá se comportar mais favorável para o triticultor brasileiro. Os estoques dos moinhos devem acabar em meados de fevereiro e o susto com a exportação no ano passado deverá mudar o cenário de comercialização da safra.
No ano passado uma alternativa aos baixos preços internos, reflexo da importação de trigo argentino que representou quase 50% da necessidade de consumo brasileira, foi exportar o trigo nacional.
Até agosto deste ano as exportações do trigo nacional deverão totalizar 1 milhão de toneladas. Mesmo não tendo uma reação direta sobre o preço do trigo, o pesquisador da Embrapa Trigo, Armando Ferreira Filho, também presente ao seminário em Londrina, concorda que as exportaçãos chamaram a atenção dos moinhos instalados no Brasil, que até então duvidavam da qualidade do trigo brasileiro.
O pesquisador prevê que a situação deve melhorar para o produtor este ano, especialmente no Norte do Paraná, a primeira região a colher o trigo. No entanto, avisa que é preciso trabalhar mais a identidade do produto, não só para conquistar maior fatia no próprio mercado interno, mas também conquistar novos clientes no cenário internacional.
Pelos dados da Conab, em 2004 haverá queda mundial na oferta do trigo. A produção estimada é de 552 milhões de toneladas para uma demanda de 590 milhões/t.
A falta de simetria entre produção e consumo faz com que os estoques mundiais estejam em queda, os mais baixos dos últimos 30 anos, garante Márcio Augusto, da Conab. No caso do Brasil, segundo ele, este fato pode reduzir as importações e favorecer o mercado interno.
O cenário mundial só não é mais expressivo ainda, destaca Márcio Augusto, porque Estados Unidos, Canadá e Austrália, fornecedores mundiais, tiveram também uma boa safra. Com execessão da Argentina, que também é um grande fornecedor, estes países ainda sustentam cotação no mercado internacional.
Na safra passada o Brasil produziu 5,5 milhões de toneladas, quase o dobro de 2002. O Paraná foi responsável por 2,8 milhões/t. Junto do Rio Grande do Sul o Estado reúne 90% da produção brasileira.
A safra 2003 não foi apenas recordo em volume, segundo Márcio Augusto, mas em qualidade e deve ser considerada um marco para a cultura no País. Também foi um ano em que o produto brasileiro passou a ser exportado, fato que nunca havia acontecido. ''Caiu por terra a afirmação de algumas indústrias instaladas no País de que o trigo brasileiro não tinha qualidade.''
Para esta safra o representante da Conab garante que o governo pretende apoiar custeio e dar apoio à comercialização. Uma das novidades com relação ao preço mínimo será uma tabela de valores diferenciados de acordo com a classificação do trigo.


