Tributos encarecem alimentos
Da Redação
A informação é da União Brasileira de Avicultores (UBA), que se refere a estudos feitos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
O estudo feito pelo Ipea concluiu que as famílias brasileiras de menor renda conseguiriam sair da linha de pobreza, tendo seu poder aquisitivo melhorado em até 8%, se os alimentos não fossem tributados. A pesquisa patrocinada pela Abia mostrou a existência de 44 tributos pagos pelo consumidor ao comprar um produto alimentício.
Um dos mais...O Brasil é um dos países que mais tributam os alimentos. O maior exemplo é o da própria cesta básica, em que os tributos são superiores a 15%, atingindo as famílias mais pobres.
De acordo com o estudo do Ipea, a isenção fiscal dos alimentos reduziria em 14,05% o número de indigentes em Fortaleza, 11,17% em Belém, 10,39% em Belo Horizonte e 10,27% em Porto Alegre. Em Brasília, a redução seria de 8,97% e no Rio de Janeiro seria de 6,82%.
Os pesquisadores do Ipea acreditam que isentar de impostos os alimentos ajudaria a reduzir os níveis de pobreza, mas ressalvam que essa não deveria ser a política única para enfrentar o problema. Outras medidas teriam de ser adotadas pelo Governo.
PerversidadeO estudo revelou que as famílias com renda mensal de até dois salários-mínimos gastam cerca de 8% dos seus rendimentos somente com impostos escondidos nos alimentos que consomem. O presidente da União Brasileira de Avicultura, Zoé Silveira dÁvila, observa que esse é um dos aspectos mais perversos da tributação dos alimentos, pois impede que os brasileiros mais necessitados tenham acesso à alimentação básica.
Porcentualmente, uma família de baixa renda gasta muito mais em alimentação e, junto, no pagamento de impostos, enquanto as famílias que recebem entre 15 e 20 salários-mínimos, por exemplo, gastam menos de 1,5% de sua renda com alimentação. Por isso, segundo o estudo do Ipea, a isenção tributária dos alimentos teria efeitos diferenciados sobre a população, beneficiando expressivamente as famílias de baixa renda.
Segundo o economista Salvador Werneck Viana, um dos responsáveis pelo trabalho, a isenção poderia constituir uma política de auxílio ao combate da pobreza, com alto grau de focalização.
Estudos como os do Ipea e da Abia têm sido levados à Comissão Especial da Reforma Tributária, da Câmara dos Deputados, com o intuito de sensibilizar os parlamentares brasileiros para a necessidade de desonerar tributariamente os alimentos. Segundo a Assessoria de Imprensa da Abia essa questão também será debatida entre os avicultores brasileiros e autoridades do Governo, no 16º Congresso Brasileiro de Avicultura, a ser realizado entre 9 e 11 de novembro, em Brasília.





