Pelo menos três municípios do Paraná se repetem no topo do ranking do VBP (Valor Bruto de Produção Agropecuária) resultante de culturas ou de criações de animais – Guarapuava, Cascavel e Toledo.

Os dados são resultantes de levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), com dados de 2023.

Guarapuava é o grande exemplo de gerador de riquezas no campo – foi o município que mais produziu batata (1ª e 2ª safras), cevada, cebola, milho (1ª safra) e pintainhos para reprodução no estado no ano passado – detentor de, ao menos, cinco primeiros lugares.

BATATA

Somando as duas safras, o município localizado na região centro-sul do estado concentrou mais de 32% do VBP da batata produzida em todo o Paraná, somando R$ 288,8 milhões advindos da cultura. As duas safras da batata somaram um volume que beirou 130 mil toneladas.

Hoje a região de Guarapuava conta com cerca de 60 produtores especializados na cultura. “A batata não serve mais para aventureiros e nem para agricultura familiar, devido aos altos custos de produção, pois todas as áreas cultivadas são irrigadas”, analisa Dirlei Antonio Manfio, técnico do Deral.

Por conta da tecnologia aplicada na lavoura, os agricultores têm obtido excelente produtividade. “Já foram alcançadas mais de 40 toneladas por hectare”, exemplificou o técnico.

A batata ocupa a 3ª colocação no ranking agropecuário de Guarapuava, com participação de 11,7% – a soja está em 1ª, com 28,2%, e a cadeia produtiva de aves em segundo, com 14,6%. A produção abastece os grandes centros comerciais, principalmente o estado de São Paulo, além de unidades da Ceasa do Paraná.

CEVADA

Com relação à cevada, Guarapuava produziu 50,4 mil toneladas do cereal no ano passado, que resultaram em um VBP de R$ 64,5 milhões.

O município tornou-se a Capital Estadual de Cevada e Malte em 2017 e, neste ano, ganhou o título de Capital Nacional de Cevada e Malte, devido à histórica participação na produção deste cereal de inverno.

“O destaque de Guarapuava é devido à tecnologia utilizada no cultivo, à pesquisa e à persistência dos produtores, levando em consideração o clima e a região, que favorecem muito a produção e a qualidade da cevada”, analisa Manfio.

Toda a produção de cevada da região é direcionada à Cooperativa Agrária, que transforma a cevada em malte para abastecer as indústrias de cerveja e de chope do Brasil.

CEBOLA

O VBP da cebola em Guarapuava alcançou R$ 69 milhões em 2023, o que representa um crescimento significativo em relação ao ano de 2022, quando foi registrada receita de R$ 25,4 milhões – alta de 171% de um ano para o outro.

“Esse aumento se deu principalmente pela elevação na produtividade e pelo excelente preço recebido pelo produtor, o que vem estimulando a cultura cada vez mais”, analisa Manfio.

Ele explica que a cebola vem ganhando espaço no município e no estado, passando de cultura de subsistência para grandes áreas econômicas, com emprego de mais tecnologia.

“A mudança começou nos últimos anos. O que mais favoreceu o crescimento do plantio e da produção foi a implantação do plantio da semente diretamente no campo e não mais o transplante da muda do viveiro para a lavoura. Soma-se também todo o pacote tecnológico que foi surgindo, inclusive passando a irrigar toda a área cultivada, gerando maiores produtividades”, acrescenta.

MILHO 1ª SAFRA

Guarapuava também se destacou no milho 1ª safra (safra menos volumosa do grão no estado) no cenário estadual, como o maior produtor em 2023.

Segundo dados do Deral, na safra 22/23 o município produziu 212,1 mil toneladas numa área de 15,6 mil hectares, indicando também a liderança na produtividade estadual do grão, com 13,6 mil kg por hectare.

AVICULTURA

Devido à altitude e ao clima, em Guarapuava não há criação de frango de corte por conta das altas oscilações de temperatura, o que influenciaria muito no custo de produção.

“Mas o município se destaca na produção de pintainhos para reprodução, ou seja, produz aves com grande valor agregado devido à genética, abastecendo o mercado nacional”, explica Manfio.

O VBP da produção dos pintainhos em 2023 alcançou R$ 312,6 milhões, ocupando o segundo produto agropecuário de valor no município e responsável pela produção de 75% dos pintainhos para reprodução no Paraná.

Cascavel lidera na produção de soja e de trigo

Município do oeste paranaense, Cascavel foi líder do ranking estadual na produção de soja e de trigo em 2023.

Solo fértil e boas condições de topografia e relevo ajudam a explicar os bons resultados das culturas de soja e trigo
Solo fértil e boas condições de topografia e relevo ajudam a explicar os bons resultados das culturas de soja e trigo | Foto: Gilson Abreu/AEN

O VBP advindo da produção de soja alcançou R$ 986 milhões, o que representou uma participação de 2% no Paraná. A produção do grão em Cascavel alcançou 451,6 mil toneladas em 107,5 mil hectares de terras.

Com relação ao trigo, Cascavel produziu 94,1 mil toneladas do cereal em 45,2 mil hectares de terras no ano passado, que resultaram em um VBP de R$ 96,1 milhões – participação de quase 3% no VBP estadual da cultura.

Renato Cesar Segalla, secretário municipal de Agricultura de Cascavel, considera que o destaque do município na produção de soja e de trigo pode ser explicado pelo solo fértil e pelas boas condições de topografia e relevo.

“Cascavel é um dos cinco maiores municípios em extensão territorial do Paraná, com 2,1 mil km². Historicamente, tem chuvas regulares com precipitações em volumes maiores no período de verão. Conciliadas com as altas temperaturas, favorecem o cultivo da soja e a obtenção de ótimas produtividades. O inverno, com temperaturas baixas e chuvas de forma menos intensa, favorece o cultivo da lavoura de trigo”, explica.

O Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta 2.675 produtores de soja em Cascavel.

A produção do grão impulsiona a economia do município, não apenas pela venda do produto, mas toda a cadeia de fornecimento de insumos e serviços para a produção. O Caged aponta 472 pessoas que atuam em empresas ligadas ao cultivo da soja.

No ano passado, Cascavel exportou mais de 330 mil toneladas do grão, com destino especialmente para a China – quase 83% do volume exportado. “Grande parte da produção, no entanto, fica na região para a fabricação de farelo de soja para ração animal.”

O trigo, por sua vez, tem grande parte da produção consumida na cidade e na região oeste – Cascavel tem hoje 12 dos 36 moinhos de trigo da região oeste – no estado todo são 110.

“A cultura da soja e do trigo são as principais atividades na composição do nosso VBP, sendo responsáveis por cerca de 30% de tudo aquilo que se produz em nosso município relacionado ao agronegócio”, frisa o secretário.

Considerando a indústria de transformação da soja em óleo, farelo de soja e ainda a indústria de panificação e biscoitos no processo de transformação do trigo, a secretaria estima que essas atividades são responsáveis por mais de 5 mil empregos diretos em Cascavel.

INFRAESTRUTURA

Segundo o secretário, nos últimos anos tem sido feitos investimentos na pavimentação asfáltica das principais estradas rurais de escoamento da produção.

“Nesta gestão foram realizadas obras em cerca de 500 quilômetros de estradas rurais. Também investimos na construção e alargamento de pontes em concreto e também na construção ou reforma de mais de 500 km de curvas de nível e terraços.”

O secretário cita ainda a perfuração de 21 poços artesianos nas comunidades rurais para captação de água potável, além da implantação de redes de distribuição de água potável em mais de seis comunidades rurais, alcançando mais de 100 km de rede e mais de 200 famílias atendidas.

Toledo detém trio com maior VBP estadual

Detentor do maior VBP do Paraná, Toledo foi líder estadual em três produtos agropecuários distintos em 2023: suínos para corte, frango de corte e milho (2ª safra).

Puxado por Toledo, Paraná avança e mira novos mercados na carne suína
Foto: Ari Dias/AEN
Puxado por Toledo, Paraná avança e mira novos mercados na carne suína Foto: Ari Dias/AEN | Foto: Ari Dias/AEN

Segundo o relatório do Deral, a participação estadual de Toledo na suinocultura de corte alcançou 16% do VBP advindo da criação em todo o estado, o que representa R$ 1,3 bilhão em riquezas provenientes do município a oeste do Paraná. O rebanho, por sua vez, alcançou quase 900 mil cabeças em 2023.

Com relação à avicultura de corte, Toledo teve uma participação de quase 3% no segmento em todo o estado no ano passado. O VBP advindo da criação alcançou R$ 917,6 milhões, proveniente da criação de mais de 11 milhões de cabeças.

O milho 2ª safra gerou um VBP superior a R$ 406 milhões para Toledo em 2023, participação de 3,6% no Paraná para essa cultura. A produção cultivada em 65 mil hectares alcançou 520 mil toneladas no ano passado.

Diego Bonaldo, secretário do Agronegócio, de Inovação, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Toledo, explica que a liderança de Toledo em

três produtos agropecuários vem de um histórico de colonização com pequenas propriedades.

“Desde sua fundação, esse modelo impera. Hoje, 95% das propriedades têm até 50 hectares, extremamente produtivas e diversificadas. Desta maneira, os produtores são intensivos em capital e tecnologia, ampliando sua produtividade.”

O município conta hoje com 681 suinocultores, 221 avicultores e 4 mil produtores de milho 2ª safra, totalizando uma massa de quase 5 mil produtores rurais nessas três atividades.

Dessa maneira, o principal motor da economia de Toledo é o agronegócio. Segundo a secretaria, a produção agropecuária e seu beneficiamento são responsáveis pela geração de aproximadamente 17 mil empregos diretos hoje em dia.

“Temos três plantas de abate de suínos (uma delas sendo a que mais abate suínos no Brasil) e uma planta de abate de frangos. Ainda há indústrias de processamento dessa carne para a produção de outros produtos. Toledo também é responsável por produzir cerca 5% da ração animal em todo o Brasil”, acrescenta o secretário.

A maior parte da produção de frango e de suínos em Toledo é processada em Toledo, com destino para todo o Brasil e mais de 160 países. Uma parte do milho produzido é processada em Toledo e outra é direcionada à exportação.

Sobre os maiores desafios dos avicultores e suinocultores, o secretário aponta hoje a sanidade animal.

“Como o estado do Paraná é o maior produtor de aves e o segundo maior produtor de suínos, sendo Toledo o principal município produtor do Brasil nessas cadeias produtivas, há de se ter um cuidado muito grande para que não haja problemas com a sanidade dos animais”, pontua.

O secretário lembra que, caso haja algum problema de contaminação com alguma doença, haverá um impacto muito grande na economia do município, com a necessidade de se cumprir os protocolos de segurança que indicam, muitas vezes, dizimar o rebanho em certos perímetros do foco.

“Além disso, o desafio da sustentabilidade ambiental, especialmente com os dejetos suínos, ainda é grande, mas com cenários futuros promissores com a geração de energia elétrica e a produção de biometano. Para a produção de milho, além do preço de mercado, que em razão de ser commodity é precificado em Bolsa, a mudança do regime de chuvas é um dos grandes desafios, pois haverá a necessidade de adequação da forma de produção”, acrescenta.

A prefeitura, por meio das secretarias municipais de Infraestrutura Rural e do Agronegócio, apoia os produtores, especialmente com ações na melhoria da infraestrutura de escoamento.

“Hoje temos mais de 420 km de estradas rurais asfaltadas, então a logística entre produtores e indústrias é muito rápida. Além disso, há o PAP (Programa de Atendimento ao Produtor) que atua na adequação de acessos às propriedades, entrega de solo-brita, terraplenagem para a construção de modais, escavação de esterqueiras, entre outras ações”, conclui.

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