Enquanto no Paraná, a participação dos modais de transporte vem se mantendo estável no escoamento da safra há quase duas décadas, em Mato Grosso, o trem ganha participação ano a ano. Por aqui, apenas 27% dos grãos foram para Paranaguá sob trilhos no ano passado. Já em MT, 60% da última safra chegaram aos portos pelas ferrovias.
No ano passado, a ALL inaugurou o Terminal de Itiquira e, no mês que vem, vai inaugurar o maior da América Latina, desta vez em Rondonópolis. Segundo a empresa, trata-se de um "complexo logístico intermodal", construído em parceria com clientes, que ocupará 400 hectares (equivalente a 30 campos de futebol). Um dos destaques será a fábrica de óleo de soja da Noble.
O posto de abastecimento vai comportar a circulação de 1,5 mil caminhões/dia e o pátio para descarga será de 162 mil metros quadrados. A unidade irá permitir o embarque simultâneo de dois trens com produtos diferentes. Inicialmente irá transportar em média 10 milhões de toneladas/ano, mas a capacidade do terminal, segundo a empresa, é de 30 milhões de toneladas, ou seja, bem mais que as 24 milhões de toneladas previstas para a atual safra de soja.
"Faz 20 anos que nós transportamos a safra aqui no Paraná do mesmo jeito. A parte levada pelo trem varia de 27% a 30% a cada ano. Não sai disso", afirma Nilson Hanke Camargo, assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). O ideal, segundo ele, é que a participação dos modais fosse a inversa.
Camargo diz que a esperança da federação paranaense se concentra no projeto anunciado pelo governo federal de ligar por trem a cidade de Maracaju (SP) a Cascavel e Cascavel a Santos. "Isso sim irá fazer a diferença para o transporte do agronegócio", afirma. O projeto está em fase de licitação de estudo de viabilidade e, segundo o assessor, pode ficar pronto em cinco anos "se tudo correr bem". (N.B.)

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