Treinados para enfrentar a ameaça
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
''Uma operação de guerrilha''. É desta forma que o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ivens Gomes Guimarães, define as ações de capacitação de médicos veterinários contra doenças avícolas como a Newcastle e Influenza Aviária (gripe aviária). Durante esta semana, Londrina sediou o IV Curso de Emergência de Medicina Aviária, ministrado para 20 médicos, em que os profissionais simularam situações reais de incidência de focos dessas doenças.
O treinamento é uma exigência do Plano Nacional de Sanidade Agrícola (PNSA), que prepara os profissionais para uma situação emergencial. ''A UEL criou um know-how para treinar profissionais além de uma educação continuada com informações técnicas e científicas sobre a incidência da doença'', afirma Guimarães, que é coordenador do curso. No total, em todo o Paraná, 80 profissionais já foram treinados em cursos realizados desde 2005. ''Paralelo ao curso estamos realizando encontros regionalizados, que complementam o treinamento''.
Apesar dos investimentos na capacitação dos profissionais do setor, o País não enfrenta o risco de incidência de gripe aviária, graças à organização do setor. ''Não queremos alarmar os produtores. O curso é preventivo. Temos que estar preparados para qualquer eventualidade'', afirma Guimarães. O setor, explica, precisa manter o patamar de padrão de qualidade e de biosegurança nivelado com a Vigilância Sanitária Animal. ''Cada dia na avicultura industrial é um grande desafio que deve ser enfrentado pelas empresas. Se o desafio é grande para as autoridades sanitárias, é maior ainda para as empresas''.
O Brasil, segundo Guimarães, é um dos países mais organizados na avicultura e é essa profissionalização do setor que garante a qualidade do produto. O controle da gripe aviária no País é feito desde 1985. ''Temos regras rigorosas de controle da produção. O acesso de pessoas a uma empresa de produção de aves é restrito e só ocorre após um tratamento bem rigoroso, para que não haja nenhum tipo de contaminação'', afirma Odilon Douat Baptista Filho, chefe da área de Saúde Avícola da Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura do Paraná, que acompanha o curso.
Só no Paraná, 10.700 estabelecimentos avícolas (com plantel acima de 100 aves) são georreferenciados, com cadastro on line, o que permite o controle de qualidade e a garantia de sanidade no setor. O estado lidera o ranking nacional de produção de aves e disputa o primeiro lugar em exportação com Santa Catarina. ''O Brasil tem um grande diferencial em termos de tecnologia, mas como todo produto biológico, não existe certeza em relação à transmissão da doença. A todo momento o clima está sendo alterado, podem ocorrer mutações. Temos que estar preparados sempre''.
O treinamento prevê a identificação do foco, o recolhimento de material para a realização de exames laboratoriais, combate à doença, além de visitas a incubatórios, abatedouros, simulação de formação de barreiras e distribuição de material informativo. O Paraná é o único estado brasileiro a realizar a parte prática do curso.
Para o combate à doença, o Estado, segundo Odilon, possui 17 equipamentos de segurança individuais, incluindo macacão, máscaras de proteção, botas e luvas, além de material para recolhimento de amostras e realização de exames laboratoriais. Outros 144 estão licitados e aguardam apenas a homologação do governo para serem liberados. Foram adquiridos ainda 20 veículos específicos para a área de sanidade avícola, que também esperam por liberação.


